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Ernesto Vázquez Souza

Mais uma vez, as Torres

11:00 20/07/2009

«Nin marqueses, nin cregos, nin doutores
fixeron as ribeiras verdecidas,
nin o guerreiro coiro dos tambores.
Os condados do polvo son dos mortos
e quen queira ser dono desta terra
que veña navegando aos nosos portos.
Os que pidan o froito sen labores,
se non morren de seu, morran de guerra,
e desta terra, así, serán señores».
LORENZO VARELA

Elevam-se mais uma vez as torres dos senhores. Até cá chega o balbordo em exagero. Ainda os campos desolados fumegam essa brêtema tristeira das batalhas perdidas. Ecoa a derrota e tudo é esse silêncio medonho que suspende o martelar dos ferros, o cravenhar grossas traves de pau e o renger de cordas carregadas, ao longe.

Mais uma vez repenicam os cinzéis na pedra que se desbasta na lavra. Titinam os aços lostregantes das malhas e os nojentos sorrisos dos que mandam rodeados de bufões. Forca e cutelo dos senhores e o lema nos brasões: "Isto se faz que eu o mando e ponto". "Por decreto da minha vontade".

Abaixam-se os olhos entanto escudos, lanças, machadas e bestas de mouros peões sob os odiados pendões entram polo Vigo de metal e orgulho sediado. Os carros param nas estradas e erguem-se as vozes de leite e de guerra das mulheres.

Os esbirros, elevando os corpos sobre os talins das selas agitam ameaçantes exemplares dessa imprensa regional em papiro vetusto escrito, tratando de ser mais altos que ridículos jactam-se das leis que impõem e fazem fixar nos adros, espetar nas portas das escolas e na mente se pudessem das pessoas.

“Leia-se e execute-se”. “Faça-se saber...” que não se tira da boca despreciativa e melindrosa do Inquisidor Vázquez e o seu servil pajem Lorenzo, o traidor, de olhos de peixe morto, dacavalo polas ruas de Compostela, em infantil fachedeio das mais modernas vestes à moda na corte espanhola.

E passam, também cavaleiros, resmusgantes os velhos senhores ainda à moda do país trajados. Conhecedores da lei e dos costumes. Para eles olha arelante o povo. Mas torcem vergonhentos o mirar, engrunhando o corpo envelhecido ante a gargalhada provocativa e castelã das cortesãs do Paço do Hórreo, das novo-ricas damas de Vigo e da fanática abadessa do Lago. Faísca um lobo raivoso na olhada dos cachorros dos caciques, mas é um intre. Estão já muito apalheirados. “Não mais comerão o galo”, que estes de ar castelão não se hão de ir tão logo.

"Governarei para todos" diz à florentina Feijó o moço, entanto o vento agita traz ele a bandeira do Graal. Mas por baixo besbelham os presentes na investidura reunidos e no poder coaligados: "Cá mandamos nós". E suspiram dizendo não mui seguros: “Mais uma vez”.

Elevam-se as torres. Silêncio na Terra. Fazem-nos saber que são os amos.

Não é que odeiem o galego é apenas que nos temem. Têm de demonstrar a este povo fusquenlho que aguarda em rebeldia latejante quem tem a autoridade. Que foi por pouco. Outra vez por pouco. Mas devemos tê-las derrubado de raiz.

E mandar, mandais, e desgovernais. De momento. Mas sabei, pola memória de Roi Xordo, pola de todos os que penduram dos carvalhos e ateigam as valas comuns e os cemitérios, pola olhada de todos os que jazem baixo outra língua, polas mágoas dos que obrigais a andar de joelhos, polos que se foram longe e polos que choram perto, que um dia derramaremos de novo as vossas torres. E essa vez será para sempre.

E enquanto vós acoutais, estragais e desgovernais pomposos, nós construímos e nos construímos e forjamos -aguardando polo dia das fouces, avalancas, chuços e pauferros nos olhares- a espada da língua.

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(A Crunha, 1970) Da Academia Galega da Língua portuguesa, Doutor em Filologia Hispânica (secção de Galego Português), especialista em história do impresso galego na etapa contemporânea. Tem focado os seus contributos arredor do movimento das Irmandades da Fala, a figura de Angel Casal e o mundo do livro galego. Trabalha como bibliotecário na Universidade de Valladolid.
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