Tenho nas minhas mâos a entrevista que El País dedicou uns dias atrás a Fernando Savater, o mais conhecido dos promotores do novo partido que leva por nome "Unión, Progreso y Democracia". Não quero ignorar que as entrevistas em geral, e as dos jornais em particular, configuram uma fonte delicada, a miúdo equívoca, de informação. Mesmo assim, e como quer que não parece que Savater desmentisse nenhuma das suas opiniões tal e como se revelam nas páginas de El País, o razoável e dar por confirmado que reflectem a sua visão sobre questôes interessantes.
Limitarei-me a chamar a atenção sobre duas delas. A primeira, e sem dúvida a mais ilustrativa, refire-se aos problemas de igualdade, ou de desigualdade, que, aos olhos de Savater, se manifestam hoje em Espanha. Significativo parece que para o filósofo reconvertido em dirigente político esses problemas se reduzam a um: uma distribuição de recursos entre o Estado central e as autonomias que, para a cabeça pensante de "Unión, Progreso e Democracia", benefícia imoralmente àquelas dentre estas que estão dirigidas, total ou parcialmente, por forças nacionalistas.
Esquecerei agora que o debate correspondente apresenta muitas faces que obrigam a não aceitar sem mais semelhante conclusão, como esquecerei que ao meu entender sobram os motivos para concluir que as comunidades autónomas ‘não nacionalistas’ jogam tambén as suas cartas nas liortas que nos ocupam. Ao cabo tem muita maior importância outro facto: quando um afirma que a questão territorial é a fonte principal, por não dizer a única, de desigualdade, está a esquecer dramaticamente datos decisivos, como os vinculados com a condição dum lugar que vive desde há tempo uma autêntica idade de ouro dos benefícios empresariais acompanhada de niveis de exploração inauditos e duma transferência formidável de recursos --via alugueres e empréstimos hipotecários-- das camadas baixas e meias da população em proveito das melhor situadas. Curioso silêncio este numa análise, a de Savater, que mal que bem quer se situar na esquerda. Ainda que, se quadra, e conforme ao visto, a Savater não lhe falta alguma razão --só alguma-- quando afirma que os nacionalismos não podem ser de esquerdas: seica o seu --um nacionalismo espanhol cada vez mais esencialista, mesmo que se apresente como democrático e constitucionalista-- não é, obviamente, de esquerdas...
Retóricas ocasionais
Procuro a segunda matéria de interesse: o retrato que Savater formula das ofertas políticas dos partidos socialista e popular. Prestarei-lhe pouca atenção ao facto de que a única crítica dirigida ao PSOE é a que salienta o conteúdo da sua política territorial e da sua conivência com os nacionalismos da periferia. Mais grave é, porém, que a única reprobação que o filósofo dirige ao PP é a que se refire às suas atitudes integristas no que diz respeito à educação e às costumes. Será que Savater não albisca problema maior no neoliberalismo exultante tantas vezes defendido pelos populares ou numa política exterior de franca docilidade com os Estados Unidos e de orgulhosa ratificação da preeminência das potências ocidentais?
Os silêncios, bem significativos, de Savater no que se refire a questôes importantíssimas encontram, claro, uma explicação fácil: se deixamos de lado retóricas ocasionais, a "Unión, Progreso y Democracia" só lhe preocupa a confrontação nacional do momento presente, até o ponto de que é legítimo sublinhar que tudo o demais é um agregado menor. Parece difícil que com estes vímbios o partido de Savater conquiste a esses abstencionistas progressistas que são os receptores esperáveis das suas mensagens.
Como sempre, o professor Taibo, põe o dedo na ferida.
Curioso que «sabater» seja em catalám sapateiro. O tal auto-intitulado de filósofo escreve o seu apelido com V, deturpando-o, nom vaiam pensar que tem origem catalã. Postos a isso, e para evitar um apelido tam pouco espanhol, podia traduzi-lo de vez e passar a chamar-se Zapatero.
O nacionalismo dos paises oprimidos é de esquerda, o dos países opresores de direita. Está por ver onde nos situamos nos, o estado espanhol, e no seu interior, as naçoes periféricas.
" #2 hai 46 minutos xaviersouto
O nacionalismo dos paises oprimidos é de esquerda, o dos países opresores de direita. Está por ver onde nos situamos nos, o estado espanhol, e no seu interior, as naçoes periféricas."
Pois eu non estou de acordo. O nacionalismo dos países oprimidos pode ser de dereitas. Concretamente, dentro do estado español, o nacionalismo vasco e catalán maioritarios son de dereitas, a non ser que non consideremos Cataluña y País Vasco como países oprimidos. En calquera caso, tanto o PNV como Converxencia son partidos de dereitas. E precisamente a existencia de partidos nacionalistas de dereitas, a existencia dunha burguesía nacionalista, é condición importante para o posible triunfo deses nacionalismos. As clases sociais máis poderosas, cultas e influentes son as que dan pulo ao nacionalismo. Iso non o temos en Galiza, e é a causa de que aquí o nacionalismo siga a ser minoritario, a pesar dos seus avances.
Carallo Xeonllo, se Cataluña e Euskadi son países oprimidos quen me dese estarmos oprimidos!!!
Xacataca, eu non sei se Cataluña e Euskadi son países oprimidos, mais algo deben de selo dende o momento en que teñen partidos nacionalistas opostos ao centralismo do estado español, e mesmo pedindo a independencia.
Porque de non haber neses países ningún tipo de opresión nacional, ¿pensas ti que terían razón de ser os partidos nacionalistas? ¿Ou pensas que en Cataluña e mais en Euskadi non debería haber partidos nacionalistas?
Certamente, o feito nacional: a língua, a cultura, a relação com o território, etc. é, dalgum jeito, alheio, ou se se quer, anterior aos factores puramente económicos, quaisquer que seja a concreção que estes tenham. Agora bem, pode haver países oprimidos que a sua vez são também opressores, ou que tiram proveito do império da nação opressora, caso de Escócia dentro do império britânico.
E logo que é a opresión de UN PAÍS? (Resposta estupendamente Antonio Álvarez Solís hoxe "La democracia viciada").
Que os resortes de DECISIÓN non estén nas suas mans anque o pareza, porque hai decisións que outros toman na vez dos habitantes.
Catalunya e Euskal Herria tamén teñen clases sociais, e modo de vida (nivel económico).
A opresión cultural, lingüística, etc. está íntimamente relacionada coa opresión económica. Unha vez que remate unha rematará a outra. Se vos fixades, por exemplo, na dictadura de Franco, aparte de reprimir a cultura catalana, reprimiuse dun xeito mais fero, se cadra, a economía. Unha proba disto é que Barcelona, antes de Franco tinha máis habitantes que Madrid, e moito máis poder económico. Agora ten a metade de habitantes, e menos poder. De feito a cultura galega reprimiuse con menos voracidade que a catalana precisamente por que era menos perigosa, por ter menos poder económico...
Por outra banda o de Savater é incríble. Dicir que tódolos nacionalismos son de dereitas, cando o mesmo Lenin ten varios libros adicados a esta cuestión. Aparte moitos dos movementos comunistas máis importantes naceron como movementos de emancipación nacional. Vietnam(Ho Chi Minh), Cuba(Fidel, o Ché, este último quería crear unha unión de Repúblicas Socialistas de América Latina, lonxe do imperialismo yanki,¿que é iso máis que nacionalismo?), China(Mao)...
Segundo Savater tamén Gandhi era de dereitas, mais eu non vin ningún dirixente de dereitas facer unha folga de fame, ou non ter máis propiedades que un taparrabos e uns anteollos...
si, si, Euskadi e Catalunya están oprimidísimos: gobernos nacionalistas, traballo a esgalla, soldos dignos, posición privilexiada da lingua propia, os maiores orzamentos que destina o estado español... eu tamén quero estar oprimido!!!!!!
(e non digo que non o merezan, eh, que ben loitaron por iso, pero falar de nacións oprimidas, dáme a risa...)
E que é nacionalismo de dereitas, bastante facha, tamén é certo, porque claro, falar de razas e de RH+ ou algo así como fixera algún político vasco... en fin, non pode valer todo
e non esquezamos que o nacionalismo vasco naceu do carlismo, que teñen uns víncilos coa igrexa impresionantes, etc, etc
#9 “si, si, Euskadi e Catalunya están oprimidísimos: gobernos nacionalistas, traballo a esgalla, soldos dignos, posición privilexiada da lingua propia, os maiores orzamentos que destina o estado español... eu tamén quero estar oprimido!!!!!!”
Por não falar dos benefícios extraordinários que as companhias catalãs tiram, com a exploração selvagem de recursos e mão de obra, dos países do Terceiro Mundo: estes si são países oprimidos.
Parece que há quem confunde os benefícios económicos de alguns com o benestar de todos (não só da maioria). O artigo do Taibo aponta essa linha (e outras) que se vê confirmada nestes comentários: neles há quem confunde as mesmas cousas, crendo que está a falar de outras...
Há dias foi a Concha. Depois veu Celso. Agora Carlos.
Isso vai bem.
O que confunde as cousas és tu, que não sabes onde tês a mão direita.
Ah, confundo. Diz, em que e quais cousas são as que confundo?
Nos vascos predomina o Rh-, como en moitos pobos africanos... e non teñen nada que ver... que eu saiba.
A análise de Taibo paréceme bastante circunspecta. A min o UPD paréceme que enche o oco dun partido moderado liberal-centralista, que xurde das antípodas da tradición vasca "carlista-forista". É pois, un partido da reacción que aspira a competir no ámbito da dereita con rostro humano e os motivos que o levan a apelidarse de centro-esquerda é diferenciarse claramente do PP para asegurarse unha constancia e non ser absorbido por este. Non quere dicir isto que non logre votos de antigos socialistas, pero... non se pasaron xa varios socialistas ao PP? Cuantitativamente dividirá ao PP.
Saúdos
Hai países oprimidos e hai persoas esmagadas, oprimidas polos seus amos e polos amos dos seus amos.
Sobre se vascos, cataláns e galegos están oprimidos, responderei como bo galego: Uns si e outros tamén.
É profesor titular de Ciencia Política e da Administración na Universidade Autónoma de Madrid, onde tamén dirixe o programa de estudios rusos. As súas áreas de especialización son transicións á democracia, Unión Soviética, Rusia e Iugoslavia.