Open Vieiros

Vieiros

Vieiros de meu Perfil


Promover ou galeguizar?

12:02 12/03/2007

Nos últimos anos, fôrom assinados por consenso das forças parlamentares dous importantes textos jurídico-políticos relativos à língua: o Plano Geral de Normalizaçom da Língua Galega, em 2004, e o novo Decreto para a promoçom do galego no ensino, ainda pendente de ratificaçom parlamentar.

Nos dous casos, os amplos acordos institucionais fôrom apresentados como importantes passos à frente no processo normalizador do nosso idioma. Por diversos motivos, as três forças políticas que os sustentam parecem satisfeitas por terem conseguido, como dixo a conselheira da Educaçom, “que a língua nom enfrente os grupos políticos”. É, mais umha vez, o fetiche do consenso ao serviço da liquidaçom do pluralismo.

Nom parece ser importante que, três anos depois da assinatura do primeiro dos acordos referidos, nem tenha começado a ser posto em andamento um Plano Geral de Normalizaçom que, de resto, mantém o “bilingüismo equilibrado” como idealista objectivo último. Sendo isso coerente com a política que caracterizou historicamente os dous principais partidos institucionais, no caso do BNG supom umha viragem para um alegado “pragmatismo” cujos frutos concretos, no que à língua di respeito, nom se vem em lado nengum.

Agora, a assinatura de um novo acordo consensual sobre o papel do galego no ensino volta a ser apresentado por esses mesmos partidos como “exemplo” de por onde deve caminhar-se em política lingüística. De novo, as aspiraçons do Decreto nom passam desses ilusos 50% a que já dizia aspirar o governante Partido Popular. De novo, em nome do consenso, evita-se fazer do galego a língua principal do ensino, o que o condena a continuar relegado, e agora já nom pola esmagadora maioria absoluta do PP, mas com o placet de toda a cámara autonómica.

De nada serve que meios e entidades próximos do BNG recriem a ilusom de um inexistente “Decreto para a galeguizaçom do ensino”, onde a realidade literal nos apresenta um “Decreto para a promoçom do galego no ensino”. Pode parecer umha questom menor, mas o simples fomento quantitativo e percentual do galego nom equivá-le a convertê-lo no idioma principal do ámbito educativo. Tampouco a miragem de afirmar com tom sentencioso que “para garantir o cumprimento do texto legal, Educaçom avaliará a situaçom para comprovar o índice de aplicaçom das medidas acolhidas na norma” garante diferenças qualitativas, quando essa mesma sentença genérica estava incluída já no Decreto 247/1995.

A realidade é –leia-se o rascunho do projecto– que o novo Decreto quer “promover” e nom “galeguizar”, e por isso nom fai do galego a principal língua veicular do ensino. A realidade é que mantém intacto o sistema de inspecçons actuais, e por isso nom garante um cumprimento da nova normativa superior ao da actual. A realidade é que, podendo ter recorrido a normas mais avançadas e efectivas, o actual Governo autonómico preferiu recuar dez anos atrás e copiar o modelo aplicado polo PP nas Ilhas Baleares.

A realidade é, em definitivo, que o Governo bipartido evita exercer como maioria parlamentar para aplicar umha planificaçom lingüística diferente e acorde com as necessidades da comunidade lingüística galega neste momento histórico. Por isso, com o novo Decreto, o ensino na Galiza autonómica continuará a ter muita “promoçom do galego”, mas nengumha verdadeira “galeguizaçom”.

4,37/5 (30 votos)


Comentarios (7)

Neo #1 12/Marzo/2007 Neo
[Valora este comentario Positivo 0 Negativo]

Gostei muito Maurício, parabéns. Totalmente de acordo contigo. Continua a escrever bem, como sempre o fazes. Manual de Iniciaçom à Língua Galega

casdeiro #2 13/Marzo/2007 casdeiro
[Valora este comentario Positivo 0 Negativo]

Sobre o "fetiche do consenso" suxiro a leitura deste artigo de REDsistencia: "El Consenso, obstáculo para el progreso".

casdeiro #3 13/Marzo/2007 casdeiro
[Valora este comentario Positivo 0 Negativo]

Arrecarallo, non se admiten ligazóns?! Pois vaia avanzo o deste novo Vieiros. Velaquí o tedes en modo texto: http://www.alternactiva.org/redsistencia/modules.php?op=modload&name=News&file=article&sid=245

gacepo12 #4 13/Marzo/2007 gacepo12
[Valora este comentario Positivo 0 Negativo]

Non te falta razón Mauri, mais ben ao contrario. E máis aínda, fai falla país. En fin...

orwell #5 14/Marzo/2007 orwell
[Valora este comentario Positivo 0 Negativo]

Estou de acordo na cuestión de fondo: o obxectivo final é a galeguización do ensino (i.e. que o galego sexa a lingua habitual do sistema educativo galego), pero esta discusión de se galgos ou podencos ten contribuído moito (aínda que certamente non é a única razón nin se cadra a principal) a que aínda sigamos atorados no 15% de ensino en galego, e a que levemos perdidas polo menos dúas décadas no proceso de galeguización do ensino. Creo ilusorio pensar que foramos pasar dun 15% a un 90-100% tal como é a sociedade galega. O importante é saír do impasse e esperemos que este sexa só o comezo...

jujolor #6 20/Agosto/2007 jujolor
[Valora este comentario Positivo 0 Negativo]

onde estamos noa galiza e cal e o noso idioma o galego, pois iso, si eles os do pp de e pois que queres que falen por e, segun eles o idioma dominante, por iso agora todos eles queren falar galego ainda que pensen en e, e sempre o pensaran don PP de E non de G

PedraCorado #7 17/Abril/2008 PedraCorado
[Valora este comentario Positivo 0 Negativo]

Sou galego e escrevo há muitos anos na norma portuguesa. Tenho estudado a evolução do galego desde o século IX altura em que a nossa língua se considera formada.
Considero que o português é galego actualizado pelo seguinte:
1-Durante sete séculos a língua foi comum aos pais dos povos que hoje habitam os territórios da Galiza e de Portugal.
2-Os povos que habitam Portugal não foram trocados nem mudaram de idioma.
3-Contudo desde a idade média até hoje passaram-se duas realidades uma em Portugal e outra na Galiza:
a) Em Portugal a língua escrita foi aculturada, não sendo escrita somente pelo ouvido, mas respeitando a origem das palavras e a árvore da sua família. A escrita foi regulamentada de forma científica sem colonização. O maior poeta e escritor português de todos os tempos viveu no século XVI na época o seu nome escrevia-se Luiz Vaz de Camóns. Hoje escreve-se Luís Vaz de Camões. Nos séculos XV, XVI em português também se escrevia as palavras “coa” “tamém” “castelán” e outras que se veêm nas páginas da Web em galego. Hoje “coa” ainda se pronúncia em português mas escreve-se “com a” porque cientificamente são duas palavras ( “com” preposição que em inglês é With e “a” artigo que em inglês é the). A palavra “tamém” os portugueses menos cultos falam “tamém” mas escrevem todos “também” por aprenderem na escola que é a contracção de duas palavras “tam” (que hoje é tão) e “ bem”. Quando alguém que domina a língua portuguesa bem lê em voz alta o galego na Web compreende tudo porque os sons são similares. A forma escrita é que é conforme o ouvido não respeitando as regras da norma escrita internacional do português. Portanto na idade média os portugueses escreviam só pelo ouvido e agora a escrita está normalizada de acordo com a linhagem da árvore da família de cada palavra. É esta a diferença.
b) Na Galiza pelo contrário a língua foi oprimida. Retirada das escolas durante séculos. Nas cidades as pessoas mais cultas foram as que mais influência do castelhano tiveram. No mundo rural foi onde o galego mais sobreviveu. Contudo no meio mais inculto. Por isso o galego na Galiza chegou aos dias de hoje como uma língua de ouvido, antiga sem actualização, quase sem escrita, descaracterizada e castelhanizada. Foi um feito heróico a nossa língua ter chegado aos dias de hoje depois de tanta opressão. Porém temos de reconhecer que chegou muito debilitada e enferma.
Temos que reconhecer que o idioma galego não chegou aos dias de hoje com vitalidade suficiente para manter o seu caracter original actualizado.
Como galego penso que temos sorte do nosso idioma se manter num país vizinho e irmão da fala e estar actualizado. Porque não se pode ter como galego do século XXI um idioma que é do século XV e por ouvido, na maioria através do mundo rural chegou ao século XXI.
O povo galego precisa de ter o seu idioma actualizado e só a norma internacional do português dá essa garantia. Ao contrário do espanhol que Espanha dita as normas do idioma, o português tem evoluído com acordos ortográficos entre os peritos de todos os países que falam português. São mais de 250 milhões de falantes nativos em todo o mundo que falam o galego actualizado na norma internacional. Nós galegos deveríamos ter também peritos no Instituto Internacional da Língua Portuguesa para representarmos as nossas particularidades e enriquecermos com elas a nossa língua comum.
A Galiza como Nação que é só terá viabilidade no contexto internacional se os galegos escreverem na norma internacional . É esta realidade que faz os colonialistas através da RAG estarem a inventar um novo idioma o “portunhol” para dividir os galegos. Já perdemos tempo (séculos) de mais.
Se o povo galego não compreender isto será sempre uma colónia de Castela dentro da chamada Espanha!!!
Como galego sinto uma enorme tristeza por ver que nem todos os galegos compreendem isto. Enquanto andarmos a discutir as normas linguísticas e não nos reintegrarmos na língua comum não temos futuro.

Novo comentario

É preciso que te rexistres para poder participar en Vieiros. Desde a páxina de entrada podes crear o teu Vieiros.

Se xa tes o teu nome en Vieiros, podes acceder dende aquí:



Mauricio Castro

Maurício Castro

Maurício Castro naceu en Ferrol en 1970. É profesor de portugués, actualmente adscrito á Escola Oficial de Idiomas da Coruña, despois de dous anos de docencia en Badaxoz.