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Maurício Castro

Umha história real e três hipóteses inverosímeis

10:50 17/12/2008

Alguém duvida que todas as forças políticas e agentes sociais querem mil primaveras mais para o galego? Claro que nom. Vamos, por isso, deixar as grandes palavras e debruçar-nos nas reacçons concretas às medidas também concretas tomadas por organismos oficiais e cargos públicos competentes em matéria de política lingüística. Partamos para isso de três exemplos recolhidos da actualidade informativa destes dias na Galiza autonómica.

1º exemplo: Segundo foi denunciado pola CIG, a EGAP (Escola Galega de Administraçom Pública) contratou umha empresa andaluza para atender a formaçom do pessoal que trabalha na Administraçom galega. Nada de especial na medida, a nom ser por um pequeno pormenor: trata-se de um curso de teleformaçom cujo temário é apresentado integralmente em espanhol e incorpora um serviço de atendimento telefónico às pessoas participantes que só admite o uso desse mesmo idioma.

2º exemplo: Entidades empresariais adscritas à Confederaçom de Empresários da Galiza (CEG) acabárom de fazer pública umha queixa pola inclusom, na iminente nova Lei do Comércio Galego, de certas garantias para o respeito aos direitos lingüísticos dos consumidores e das consumidoras de qualquer serviço comercial na Galiza. Os empresários representados pola CEG rejeitam, por exemplo, o direito à escolha na relaçom de qualquer freguês com a empresa que lhe fornece um serviço (se essa escolha for o galego, entenda-se).

3º exemplo: Marisol López, secretária geral da Política Lingüística na Junta da Galiza, declara aos meios de comunicaçom que o futuro do galego “nom é tam negro” como se conclui do informe apresentado polo Conselho da Europa nestes dias. Entre vaguidades e boas palavras, a responsável da Política Lingüística no actual bipartido autonómico acrescenta, isso sim, que apesar da recuperaçom do prestígio do galego, “ainda falta um pouco”…

Agora vamos tentar tomar algumha distáncia para ver o que esses três casos significariam num outro país qualquer e vejamos o resultado.

1º exemplo: Alguém pode imaginar que umha suposta École Française de la Fonction Publique se dedicasse a obrigar o seu pessoal a formar-se numha língua diferente do francês, mesmo que fosse de grande prestígio, como por exemplo o inglês? Nom falamos, entenda-se, da saudável aprendizagem de segundas línguas, mas da substituiçom do francês polo inglês como idioma próprio da formaçom e do atendimento nas administraçons públicas francesas.

2º exemplo: Caberia a possibilidade de que, de repente, o espanhol deixasse de ser a língua de relaçom em qualquer tipo de transacçom comercial, estendendo-se por exemplo a sua exclusom nos cinemas, nas grandes superfícies ou no mundo editorial? E, nesse suposto, sairia a CEOE (Confederación Española de Organizaciones Empresariales) a protestar por umha tímida tentativa legal de evitar o claro recuo dos usos do espanhol no ámbito comercial e empresarial?

3º exemplo: Suponhamos entom que todo isso, e ainda mais, acontecesse, indicando umha inequívoca tendência, contrastada em todo o tipo de estudos, para o abandono do idioma próprio desses países em favor do inglês, ou do alemám, ou do chinês, tanto tem. Sairia entom a máxima personalidade institucional na matéria a dizer que “o futuro do nosso idioma nom é tam negro”, nem que fosse reconhecendo que “ainda falta um pouco” para nom sabemos quê?

Desculpem a sucessom de perguntas retóricas e de hipóteses tam pouco verosímeis mas, já que chegárom ao fim na leitura desta triste história, nom esqueçam que ela é, no fundamental, verdadeira.

Protagonizada por boa parte dos empresários e políticos de um país chamado Galiza, ao resto parece corresponder-nos, de momento, o papel de figurantes.

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Mauricio Castro

Maurício Castro naceu en Ferrol en 1970. É profesor de portugués, actualmente adscrito á Escola Oficial de Idiomas da Coruña, despois de dous anos de docencia en Badaxoz. »



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