Vieiros

Vieiros de meu Perfil


Luís Gonçales Blasco (Foz)

O meu rol na fundaçom da UPG

10:00 18/01/2008

Para Reimundo Patiño in memoriam.

O volume 32 d’A Gran Historia de Galicia distribuída por La Voz de Galicia diz na sua página 32, a respeito da fundaçom da UPG: Formaban parte do grupo fundador algúns de máis idade como o comunista Luis Soto ou Celso Emilio Ferreiro, antigo dirixente das Mocedades Galeguistas, e os mozos Xosé Luís Méndez Ferrín, Bautista Álvarez, María Xosé Queizán, Manuel María, Antón Moreda e Raimundo Patiño. Nacía así a primeira organización marxista revolucionaria da historia do nacionalismo galego, caracter este que fica perfectamente expresado no seu primeiro e sucinto programa. O autor do tomo é Justo Beramendi que comete um erro parecido na sua volumosa obra sobre o nacionalismo galego. Nem Antón Moreda, que nunca pertenceu à UPG, nem Manuel Maria, que tardaria anos em se integrar na mesma, estavam presentes no merendeiro da Rocha o 25 de Julho de 1964; tenho umha certa autoridade para dizê-lo porque eu si estava ali. Nom quero culpar Beramendi desta exclusom da minha pessoa já que nom é dele de quem parte a iniciativa. O certo é que este tema, com algum outro, já o tratei o ano 2000 n’O Máximo, suplemento do número 64 da revista Agália. Se hoje volto faze-lo nom é por vaidade pessoal mas por esclarecer um pormenor da nossa história já nom tam recente e porque Agália tem umha difusom reduzida por enquanto a História da Voz está a se difundir amplamente. Dizia eu em 2000:

Um problema que está prejudicando há anos o nacionalismo galego é a persistência em certos sectores e pessoas do mesmo de um forte sectarismo que pode impedir a consolidaçom e o incremento dos evidentes avanços logrados nos últimos anos. O mais triste é quando este sectarismo se dá em pessoas que possuem, aliás, evidentes qualidades, tanto políticas como intelectuais.

O tono deste trabalho pode aparecer um tanto pessoal mas é que, precisamente, nas relaçons interpessoais é onde o sectarismo pode aparecer com mais facilidade. Porém, como venho de insinuar o sectarismo é um grave problema político e deve ser combatido ali onde aparecer. O sectarismo é o verme que corrói umha organizaçom democrática e leva à sua transformaçom numha organizaçom onde a democracia nom passa de ser, no melhor dos casos, umha saudosa lembrança.

Excelente crítico
Tal é o caso do deputado no parlamento espanhol Francisco Rodríguez, um excelente crítico da nossa literatura, um parlamentário de evidentes dotes, um entusiasta nacionalista, um inteligente político, um bom orador e um home de inegáveis qualidades humanas mas com umha forte componente sectária no seu carácter que o leva a cometer graves erros e injustiças e, inclusive, a falsificar a história recente do país.


Esta atitude de F. Rodríguez com respeito a mim nom era umha novidade mas tampouco era algo sistemático. Já há anos que, sem eu saber as razons, quando me encontro com ele, só ou acompanhado, ignora absolutamente a minha presença ainda que em outros casos saúda-me e até cruzamos algumhas palavras com certa cordialidade. Durante muito tempo guardei esta atitude na minha intimidade ou comentei-na privadamente com alguns amigos. Quando se tratava de amigos comuns desculpavam-no dizendo “cousas de Paco”. Ignorante dos motivos que podiam provocar estas reacçons ficava em mim a moléstia de nom saber se devia saudá-lo e ficar sem reposta ou nom o fazer e ficar como descortês. A cousa chegou a limites de que algum velho amigo e antigo camarada que sempre me saudava cordialmente, se vinha acompanhado de F. Rodríguez aguardava pola reacçom do seu companheiro para ver se via nele algum sintoma de começar um gesto de reconhecimento ou nom, segundo for cruzávamo-nos como três desconhecidos ou intercambiávamos algumhas palavras. Devo dizer que pola minha parte tenho-o felicitado publicamente depois de algumha conferência ou outra actividade sua das que gostara especialmente. Ignoro portanto as causas do seu proceder. Nom deveriam ser políticas já que com muitos dos seus camaradas mantenho excelentes relaçons persoais.

Até aqui trata-se só de umha questom meramente pessoal e que nom deveria dar origem a nengum escrito meu. Trataria-se, segundo alguns dos seus amigos, de “cousas de Paco” ou segundo o livro de Blanco Amor de “boas maneiras”. Mas o assunto já tivo um par de repercussons públicas: umha por omissom e outra por alusom e ainda que nom som recentes penso que nom é bom deixá-las sem esclarecer por mais tempo. Além disso já chegara à conclusom de que os prejuízos para o nacionalismo som maiores ocultando o sectarismo existente no seu seio do que denunciando-o para poder ser corrigido.

A omissom
Examinarei em primeiro lugar a omissom: No número 29 da Gran Enciclopedia Gallega figura a voz Unión do Povo Galego, o artigo está sem assinar mas conheço por fontes absolutamente fidedignas que o seu responsável é Francisco Rodríguez: Reproduzo o último parágrafo sublinhando alguns vocábulos que encontro significativos:

Como resulta mítica y equívoca la lista de presuntos fundadores de este partido en 1964, mencionamos a continuación los que redactaron entonces los puntos programáticos (los famosos diez puntos): Xosé Luis Méndez Ferrín, Raimundo Patiño, Xosé A. Arxona, Bautista Álvarez y M ª Xosé Queizán. En el acto de Santiago, del 25 de julio de 1964, estuvieron presentes: Xosé Luis Méndez Ferrín, Raimundo Patiño, Xosé A. Arxona, Luis Soto, Celso Emilio Ferreiro. (os sublinhados som meus)

Este erro propiciou que outros autores que consultaram esta fonte dessem também esta lista equivocada. Tal ocorre com Rubiralta Casas que dá a mesma lista de assistentes ao jantar da Rocha mas como consulta outras fontes acrescenta tamén participaran na súa constitución Bautista Álvarez, Mª Xosé Queizán, Luís González Blasco “Foz”, e Manuel Caeiro. Luís Soto, na página 264 das suas memórias também me cita como um dos comensais da Rocha. Se cito a autoridade de Soto é porque ele também estava ali mas poderia citar outros como Álvarez Cáccamo, Méndez Ferrín ou Rivas e Taibo (aos que agora se acrescenta Beramendi) que também me citam entre os assistentes à Rocha; por suposto existe outra testemunha de excepçom que som eu próprio, quem nom estava ali era Francisco Rodríguez e gostaria de saber donde recolhe a informaçom que dá, nom creio que nengum dos que ele cita como assistentes (houvo mais) lhe desse tais dados. Há algo em comum entre os que citam a minha presença no famoso merendeiro? Si, nengum deles pertence à actual UPG. A estas alturas parece bastante ridículo que eu esteja a discutir sobre a minha presença ou ausência num lugar determinado e num dia preciso mas nom som meus os adjectivos mítico, equívoco e presunto e suponho que algumha razom haverá para utilizá-los.

No parágrafo que, sem provas por nom poder citar as minhas fontes, atribuo a F. Rodríguez há umha curiosa diferenciaçom entre a elaboraçom dos dez pontos e o acto da Rocha, nem sequer os protagonistas coincidem totalmente. A que se está a jogar? Hoje poderiam-se estabelecer essas diferenças de datas mas numha das épocas mais duras da ditadura, precisamente com Fraga de ministro, tal cousa resulta absurda e isto sabe-o bem F. Rodríguez que luitou contra aquela ditadura. Que podíamos estar fazendo os que nos reunimos na Rocha o 25 de Julho de 1964? Limitar-nos a comer cabrito convidados polo sempre generoso Soto? É evidente que nom.

Os dez pontos fôrom-se elaborando durante um longo processo de reunions começado já em 1963 quando se produz em Madrid o primeiro intento fundacional da UPG, interrompido polo fracassado projecto do Conselho da Mocidade. Mas a sua discussom e elaboraçom final fijo-se o 25 de Julho de 1964. A prova de que este tipo de reunions nom se fazia por puro prazer tivemo-la o 25 de Julho de 1965 em que por nom tomarmos as medidas de precauçom suficientes tivemos diversos problemas: Soto foi expulso do país e eu “visitei” o comissariado de Lugo ainda que sem maiores conseqüências. A polícia franquista sabia muito bem que umha reuniom de gentes de diversos lugares do país e da emigraçom nom tinha como motivo exclusivo umha inocente comida.


Xantar
Em 2004 a UPG celebrou os seus quarenta anos com um acto no Auditório de Galiza ao que fum convidado, igual que outros antigos militantes. Tenho que dizer que nom me achei muito a gosto no mesmo; umha das primeiras razons foi o reparto de um tríptico onde figurava, ampliado e em galego, o texto publicado na Enciclopédia Galega, com o mesmo parágrafo sublinhado por mim e que agora já nom era o derradeiro. O texto atribuído a Francisco Rodríguez sem provas passava a ser um escrito oficial da UPG.

Depois de tudo isto vou dizer qual foi o meu rol na preparaçom do famoso jantar, isto é umha novidade que nom figura no texto publicado por Agália:

Pola simples razom de ser o único dos convivas previstos que morava em Compostela encarregara-se-me de procurar um lugar ajeitado. Foi António Silva, mais conhecido por Chuvieiras, militante do PC que tempo andado militou no PCOE e que sempre tivo simpatias pola UPG, quem me ajudou na procura. Por fim escolhemos a taverna - restaurante que estava na velha ponte da Rocha, na antiga estrada de Santiago a Vigo; era um local muito agradável com um espaço exterior onde se jogava a chave. Fum eu quem tratou com o proprietário para reservá-lo para o dia 25 e o que escolheu o menu. O jantar celebrou-se nesse espaço exterior, coberto por umha parra e como já dixem foi Luís Soto quem acabou por pagar todo o gasto com a sua generosidade habitual.

Aguardo que com isto se dissipem as dúvidas dos historiadores a respeito do acto formal da fundaçom da UPG.

4.63/5 (52 votos)


Sen comentarios

Novo comentario

É preciso que te rexistres para poder participar en Vieiros. Desde a páxina de entrada podes crear o teu Vieiros.

Se xa tes o teu nome en Vieiros, podes acceder dende aquí:



Blasco

Luís Gonçales Blasco, mais conhecido por "Foz", nasceu em Foz em 1.941 e é professor aposentado de Língua e Literatura. Foi membro do Consello da Mocedade e um dos fundadores da Unión do Povo Galego. Em 1968 tivo que exiliar-se a França onde se licenciou em Lingüística Geral na Universidade de Paris VIII. Abandona a Unión do Povo Galego em 1978 integrando-se no Patido Galego do Proletariado; depois militaria em outras organizaçons independentistas como Galiza Caive, a primeira Frente Popular Galega ou a Assembleia do Povo Unido; na actualidade nom forma parte de nengumha organizaçom política. Publicou em revistas ou em obras colectivas alguns trabalhos sobre língua e literatura galegas e sobre a história do nacionalismo galego contemporáneo. »



Anteriores...