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Alexandre Banhos

Na Assembleia da República

11:11 21/04/2008

Na viagem para Lisboa o carro Daewoo dera-nos alguns problemas, numha das paragens houve que empurra-lo para que o motor acabara puxando dele. Ao chegar a Lisboa, paramos diante do nosso hotel, o American Diamonds (em lugar onde estava proibido deixar o carro) e negou-se nesse momento a voltar a acender.

O Hotel fora procurado com cuidado, estava perto da Praça do Marquês de Pombal, era antigo mais fora renovado totalmente havia pouco mais dum ano, e a valoraçom dos clientes que aparecia na internet levava um 8,5 sobre 10, o preço ademais era do mais interessante, pois os demais hotéis que se achavam estavam todos por cima e os mais baratos tinham muitos inconvenientes, ademais a estaçom do metro ficava mesmo na porta.

Os quartos eram novos e estavam perfeitamente acondicionados, ademais de ser todos distintos. Fiquei contente da escolha, era ali que iamos passar duas noites os dez membros da delegaçom galega que nos deslocamos a Lisboa. (11 membros se somamos o jornalista e amigo de La Voz Joel Gomes, ainda que nom morava no nosso hotel)

Como chegáramos umhas horas antes do grupo no que conduzia Cristóvão, saimos de passeata por Lisboa e fomos ceiar ao bairro alto na mais antiga cervejaria de Lisboa A Trindade; um bom acerto a recomendaçom do Estraviz e a Manuela.

De volta ao hotel encontramo-nos com os outros cinco expedicionário, umha grande alegria acho que nos dominava a todos.

Para a Assembleia da República


No carro vinhera uma pesada caixa de livros da AGAL, e era objectivo nosso leva-la até a Assembleia da República onde pensávamos fazer o reparto deles, e estando o carro parado em lugar proibido, e vendo que já esquecera isso de nom acender, só girar a chave funcionou óptimo, acordamos repartir-nos e uns ir de metro e os outros de carro até Sam Bento.

O acto começava às 10:30 horas e ainda nom eram as 9:30 e já estávamos todos ali, sendo os primeiros em chegar. De seguida comprovamos, que no livro do registo de admissões à A.R., figuravam todos os nossos nomes. Ao pouco chegou um catedrático da Universidade de Lisboa Fernando Cristóvão bom amigo de Estraviz e rapidamente se encheu com um bom pacote de livros que o fixo felicíssimo (rápido sacou um saco de plástico dum bolso do casaco), foi o começo duma rápida e amável pressom de diversos intervenientes interessando-se polas publicações da AGAL a tentar todos apanhar algum livro, até que o pacote se acabou, salvo média dúzia de exemplares que previsoramente ainda ficavam no carro (eram para a CPLP); ali estavam os nossos congressos internacionais, o dicionário quadrilingue de Carlos Garrido, os Estudos Galego Portuguesas, da Fala e Escrita de Carvalho Calero etc etc. O Estudo Crítico e o Prontuário. Pola sua parte Cristóvão levava vários exemplares de dous interessantes livros o de António Gil "25 anos de sociolinguística e literatura" e "A influência da Obra de Lluis Aracil nas Políticas Linguísticas" que correrom sorte parelha.

O carro nom ficara bem situado e foi-se a muda-lo de sítio, infelizmente tinha umha roda já travada e houve que soltar sessenta euros para poder fazer-se com ele, logo foi deixado na área de autoridades do estacionamento da AR onde ao sermos convidados estava autorizado e sob o controlo da GNR.

As 10.10 horas já estávamos dentro da AR, na sala do Senado (hoje nom existe senado mas é uma relíquia dá sala dos pares do século XIX e do senado que existiu na primeira república em 1911).

A entrada do acto entregou-se-nos umha pasta na que estavam as nossas comunicações e diversa informaçom entre ela umha fotocópia do Diário da República de 23-8-91 no que se publicou o texto do acordo ortográfico de 1990 e onde se cita a existência da delegaçom de observadores da Galiza.

O Presidente da AR Jaime Gama abriu o acto, eram ja passadas as 11:00 horas. O Presidente da Comisão de Ética, Sociedade e Cultura Luís Marques, enquadrou o feito da Conferência e Audição, que de acordo com o Regulamento da Câmara ia ter lugar esse dia, passando logo a palavra aos intervenientes:

Adriano Moreira, Presidente da Academia de Ciências de Lisboa, numa breve intervençom que ao dia seguinte achei num jornal de reparto gratuito, insistiu nas bondades do Acordo ainda que segundo ele era lástima que o Acordo seja um tratado e nom umha simples declaraçom de vontade dos estados, pois para ele isso é algo muito mais simples e efectivo.

Evanildo Bechara, Presidente da Academia de Letras do Brasil, fixo umha bela comunicaçom onde debulhou as questões a ver com o Acordo com esse jeito dele formoso e preciso.

Albertino Bragança quem é escritor e umha das personalidades mais importantes de São Tomé e Príncipe (estado assinante do protocolo adicional do Acordo), país no que preside o Partido Democrático, e no que ocupou todo tipo de postos incluídos ministeriais, apresentou as questões a ver com o Acordo de jeito muito pessoal e original pondo sobre a mesa aspectos a ver com as relações dos povos dos estados africanos com a língua portuguesa e as relações com as suas línguas nacionais.

Amélia Mingas, Presidenta do Instituto Internacional da Língua Portuguesa ligado a CPLP e com a sede na cidade de Praia em Cabo Verde, deu a comunicaçom provavelmente mais apaixonada. Esta Angolana que tem trabalhado muito a prol das línguas nacionais angolanas o Iwoyo, kikongo e Kimbundu, licenciada em literatura germânica e doutora pola Sorbonne em Ciências da Linguagem declarou falar a título pessoal e nom na sua condiçom de Presidenta do IILP, e traz a debate questões a ver com a língua portuguesa que iam ao além da simples discussom do Acordo.

Pouco depois das 12:00 acabaram as intervenções. E traz um rebulir com uns e com outros e falar com a gente da imprensa, juntei-me a Jaime Gama, Luís Marques, às personalidades que vínhamos de escuitar, aos responsáveis dos grupos parlamentares, a Vasco Graça Moura a Carlos Reis, ao Secretário Executivo da CPLP Luís de Matos, Helena da Rocha, e uma encantadora deputada socialista da que infelizmente esquecim o nome.

Fixemos um percurso polo edifício da A.da R. guiados pola amável e atenciosa Elisabeth guia do edifício e o próprio Jaime Gama que nos ensinarom o velho Paço de São Bento e a sua história e os seus secretos todos. Acho que falei com todo o mundo e com todos tentei estabelecer laços que ultrapassem no futuro o simples facto de ali coincidirmos. Com Luís de Matos falei da reuniom que ia haver ao dia seguinte na CPLP, e forneceu-me interessantes informações que desconhecia. Com Albertino Bragança adquiri alguns compromissos aos que lhe tenho de dar resposta. Com Amália Mingas, o nosso foi empático, muito nos rimos, entendia o que se passa na Galiza maravilhosamente, ao dia seguinte despertei-na chamado-a ao seu hotel, aguardo que a nossa relaçom perdure, a sua mirada e o seu falar franco e sam é um prazer, fazer amizades assim já paga a pena tudo. Com Luís Marques figemos-nos interessantes e deliciosas confidências

A comida tive lugar no novo edifício anexo inaugurado há dez anos e onde estam os escritórios dos 230 deputados.

O almoço foi realmente de abades e os vinhos impressionantes. Fum colocado a beira de Carlos Reis, com quem vim a falar de temas ligados à formaçom, e a existência dum amigo comum, Elias Torres, facilitou muito a nossa aberta relaçom, de facto ficamos em estabelecer contacto entre a nossa Associaçom e a sua Universidade por questões de mutuo interesse; estava enfrente o representante do PCP João Oliveira, e Helena Rocha, e a agradável deputada do PS da que esquecim o nome (peço-lhe desculpas se me lê), estava tamém ao lado de Carlos Reis, esse magnífico poeta e latinista que é o deputado europeu Vasco Graça Moura, a relaçom entre todos foi cálida e cordial e a conversa muito agradável deslizou-se sobre questões a ver com o Acordo e muitas cousas mais.

Ao sairmos para as intervenções de Vasco Graça Moura e Carlos Reis, ainda demorei um bom bocado atrás do grupo indo de palique com Amália Mingas.

Pouco depois das 14:30 começou a Audição Pública, essa interessante figura que recolhe o Regulamento do Parlamento Português.

Estava presidida por Teresa Portugal vice-presidenta da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura acompanhada sempre do Presidente da Comissão Luis Marques e os representantes parlamentares: João Oliveira do PCP, Ana Zita Gomes do PSD, Pedro Matos do CDS, e Luís Fazenda do BE. Teresa Portugal defendeu a posiçom do PS,

Vasco Graça defendeu o nom ao Acordo com um seu discurso e argumentário cheio de interesse e do que estavam todos na sala perfeitamente apercebidos pois os argumentos vinham sendo repetidos polo conferencista na imprensa.

A contra réplica de Carlos Reis resultou desde o ponto de vista da oratória muito mais efectista e foi dando-lhe a volta um a um aos argumentos anteriormente expostos.

Logo falaram, o amigo e lexicografo Malaca Casteleiro. Godofredo Oliveira (Presidente de Geolíngua- já nos enviou umha notícia para o PGL). Helena Rocha Freire (uma velha participe nos Acordos). Fernando Cristóvão da Faculdade de Letras de Lisboa. Rui Beja (Presidente dos Editores e o primeiro a falar em contra). Alexandre Banhos, coloquei-me de pé por ser uma posiçom na que me sento mais cómodo e pensava dissimular assim mais o meu nervosismo (é-me com-natural), porém o facto de ter que colher o microfone com uma mão e ir passando as folhas com a outra, levou-me a perder o carreiro nalgumha ocasiom, numha delas introduzim a frase duma missiva de Castelao a Sanchez Albornoz na que afirma que "desejo, além disso, que o galego se aproxime e confunda com o português" mudando-a por outra na que era o próprio Castelão quem aspirava a confundir-se com um português. Luís Costa falou em contra com razões lingüísticas. O Presidente da Associação Timorense viu pôr de relevo problemáticas muito específicas desse estado. Ângelo Cristóvão estivo sereno e soberbo na sua comunicaçom. Seguirom-se ainda quatro intervenções mais, todas elas cheias de interesse.

Polos grupos Parlamentares, nom houve nenhum grupo que se manifestar contrário ao Acordo ainda que PCP e CDS tinham posições muito parecidas sendo de extremos opostos. O PS foi firme a prol, o PSD foi firme a prol ainda que com críticas aos socialistas. Polo Bloco de Esquerda falou Luís Fazenda um velho conhecido meu e um grande amigo da Galiza.

Uma hora antes do tempo previsto a Audição tinha finalizado e todos os galegos estávamos felicíssimos conscientes de termos participado num feito histórico.

Todos os demais membros da Delegaçom galega nom citados anteriormente mas que figuravam na relaçom de pessoal convidado à Assembleia da República, eram: Isaac Alonso Estraviz, Margarida Martins Vilanova, Martinho Monteiro Santalha, Manuela Ribeiro Cascudo, Xavier Vilar Trilho, Concha Rousia, António Gil Hernandez e Teresa Carro, ademais estava dum outro jeito o Joel Gomes.

A presença galega na AR percebia-se ao primeiro golpe de vista, todos os que ali estavamos faziamos contactos, davamos a conhecer a problemática do nosso pais e trabalhavamos para que a Galiza caminhe no futuro no ronsel da Lusofonia, e que actos como este nom sejam mais excepcionais e formem parte da nossa normalidade, que seria a melhor das garantias de futuro.

A Assembleia da República convidando-nos, para tratar nela acerca dum assunto competência do Parlamento Português e para o povo português, estava dizendo, é amigos, a Galiza tamém tem a nossa língua, vocês nom som outros, e estava dizendo-o nom a nós, senom ao povo português todo e a todos os povos da CPLP é isso enceta um novo patamar das relações da Galiza com o resto do mundo que usa e cuida a nossa língua.

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Alexandre Banhos

(A Coruña, 1954) Licenciado en Ciencias Políticas e Socioloxía, é presidente da Associaçom Galega da Língua (AGAL) »



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