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FINAL DE JOGO

O enfrentamento dos salva-pátrias

11:32 09/10/2007

Não serei eu quem defenda a organização Batasuna, cujos elementos de messianismo ideológico estão muito longe do meu ideário político, mesmo sendo consciente como sou da distorção sistemática a que as suas palavras e ideias estão submetidas polo império mediático español.

Mas, se de abominar dos messianismos se trata, não esqueçamos nunca a postura e os actos da Audiencia Nacional deste Reino, com figuras como Baltasar Garzón ou Fernando Grande-Marlaska que têm tanto poder efectivo em remexerem o ambiente social e as nossas próprias mentes com a aplicação, sempre política, das leis do Reino. O auto de Baltasar Garzón para o encarceramento dos líderes de Batasuna, tal como o conheço pola edição impressa de EL PAÍS, é um exercício de uma natureza tão ricamente visionária que nos ilumina para sempre (quer dizer, até que mudem as directrizes policiais) o panorama próximo da violência (a de Estado e a outra) neste Reino de salva-pátrias. Porque, quando começavam a cheirar a cinza velha (como após uma adolescente fogueira) as imagens de Juan Carlos de Borbón, Garzón faz-nos gozar com mais uma historieta, com um texto escrito na mais peculiar gramática da língua do império, e com o recorrente leit-motiv jurídico e quase-literário de que Batasuna se reunia para “abordar el enfrentamiento”. Certo, diz EL PAÍS que esta frase está escrita a mão nas margens dum documento interno de Batasuna apanhado pola polícia na reunião. Mas esta frase é motivo para chamar Batasuna ETA, ou ETA Batasuna, ou para redesenhar a geometria dos “entornos” políticos (se se lê o auto com atenção), onde umas vezes Batasuna é ETA e portanto está dentro de ETA, outras está fora mas é de dentro, e ainda outras (quando procura a paz) está dentro mas quer estar fora, e assim por diante. Poupo aos leitores o desastre cognitivo de pretender compreender esta geometria imposta pola Audiencia Nacional e pola Lei de Partidos, uma nova geometria moderna que tão proveitosa resultou sempre para os Estados militares definirem à vontade a identidade delituosa dos sujeitos (veja-se, sem ir mais longe, a ordem pós-euclidiana do “Eixo do Mal”, a criação discursiva de “Al-Qaeda”, o “terrorismo internacional”, e outras ameaçantes construções fantasmagóricas que o jornalista Adam Curtis se encarrega de revelar no documentário The Power of Nightmares).

Não é preciso ser muito inteligente para imaginar o que se esconde por detrá duma expressão política como “abordar o enfrentamento”. Duvido poderosamente, por exemplo, que as diversas instâncias do Estado e dos partidos não concebessem a situação política depois da bomba massiva de ETA em Dezembro de 2006 como uma nova fase marcada polo confronto. Os representantes políticos voltaram a empregar escoltas, reforçaram-se as medidas de auto-defesa, reanimou-se a violência jurídica, e a tensão voltou a notar-se na vida e sobretudo nos catequéticos jornais españóis que aos súbditos do Reino nos amargam o chá e a cálida torrada da manhã. Quem recomeçou essa nova fase e esse tipo de enfrentamento, com uma bomba brutal que assassinou duas pessoas? Evidentemente, a ETA. Mas, colocou esta bomba Batasuna ou a sua “cúpula”, curioso elemento arquitectónico dos partidos que remete para um templo em lugar de para uma rede de pessoas? Se Batasuna o tivesse feito, toda a Audiencia Nacional, a Fiscalia do Reino, os governos español, basco e madrileno e o Chefe do Estado deveriam estar todos na cadeia por flagrante e cúmplice negligência por deixar Batasuna livre. Porque, se reunir-se para “abordar o enfrentamento” é uma actividade “presuntamente delituosa”, mais presuntamente delituoso será desmembrar duas pessoas com uma explosão que esnaquiza um enorme estacionamento. Em resumo, se Batasuna é ETA, todos os seus membros, do começo até ao final, para a cadeia. E, se não é, a calar e a deixar-se de interesseiras hipocrisias e de linguagem perversa.

Portanto, calculo que concordamos que nem Batasuna nem o Estado Español são os autores nem os culpáveis da bomba da ETA que reiniciou o “enfrentamento”. Mas as novas condições políticas, herdadas dum patético “processo” encaminhado por parte do Estado sobretudo para inocular ainda mais confusão mental numa massa de súbditos já descerebrados, inauguraram um tipo de “enfrentamento” do qual não pode escapar nenhum dos dous agentes salva-pátrias desta guerra: os braços do Estado, e a patriótica (“abertzale” é uma desnecessária dissimulação) esquerda basca. Seria ridículo negar que ambos rivais vêem a situação em termos de confronto jurídico, político, e físico, quer dizer, numa relação de tensão definida pola violência: ataques físicos e verbais, privação ou coerção da liberdade doutrem, violação de direitos, exploração da propaganda como método, etc. etc.

Dificilmente a constatação deste confronto, e a vontade duma organização como Batasuna de “abordá-lo”, se pode ver como um argumento de peso como indício delituoso para uma mente racional, em ausência de detalhes explícitos na planificação do enfrentamento. Num enlamado totum revolutum que lembra mais uma fatwa que um texto jurídico, o auto de Garzón coloca lado a lado o “enfrentamento” com, por exemplo, a táctica política de Batasuna de aproveitar as mobilizações contra o AVE. E o tremendista órgão da direita intervencionista EL PAÍS, que já não sabe que hollywoodiano cabeçalho colocar agora que o Público regala DVDs, eleva ao cubo o poder evocador do “enfrentamento” reiterando-o várias vezes na notícia.

Seres fabulosos
Os tristes gudáris de Batasuna, a desafiarem a lei dum Estado em que não acreditam, reuniram-se com suficiente luz: foram dous vizinhos da vila quem solicitaram o local do concelho para a reunião. Talvez se solicitou com qualquer escusa, nem sei, nem tem importância, mas calculo que como acto político da patriótica esquerda basca. A “cúpula” de Batasuna não se reuniu nos montes ou em majestáticos zulos habitacionais como os que, diz a lenda, tinha Ali-Babá-Ben-Laden nas montanhas de Tora-Bora, nem se reuniu num desses remotos e exóticos caseríos de petrúcios a que a imaginaria española nos tem habituados como campos de treinamento onde --pontifica a porta-voz do dogma da Transición Victoria Prego-- se forjou a aliança de civilizações católico-etarra. Estranha maneira a da “cúpula” de Batasuna de pertencer a ETA para planificar o enfrentamento: num local dum concelho basco.

É difícil entrar nos mundos imaginários respectivos em que combatem estes dous messianismos: o do Reino de España, e o dos gudáris bascos. Devem ser territórios nacionais míticos habitados por tantos seres fabulosos e alimárias tolkenianas que a zoologia e a teratologia do nacionalismo precisariam ser reescritas. Mas um pobre súbdito como eu reage hoje assim, com a fúria das palavras, porque está canso de ser sacudido dia sim e dia também polas hostes habituais de salva-pátrias: os que levam na mão as leis do Reino Borbónico como a Lei de Deus que a invenção do “pueblo español” votou (dizem) em constituições e eleições e outros ritos de sujeição masoquista, e os que levam na mão e nos papéis uma ideologia também redentora (isto é, também nacionalista) composta apenas de quatro palavras primitivas, quatro noções sobre o que é ser pessoa, sobre o que é a acção política, sobre o que sejam as formas das identidades sociais. As mentes de todos os salva-pátrias são, felizmente, inescrutáveis. Mas, infelizmente, ainda projectam sobre nós, dia após dia, cada manhã, quando com toda a burguesa ingenuidade queremos abordar o habitual enfrentamento gastronómico com um chá e uma cálida torrada com manteiga, a sombra dum mundo repulsivamente repetitivo, circular, cansativo, brutalmente elementar como a esquálida mente e os actos de todos os guerreiros.

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Comentarios (22)

Sara_Mago #1 9/Outubro/2007 Sara_Mago
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Grande artigo. O nivel do Vieiros vem de melhorar consideravelmente desde as 11:32 do dia de hoje.

deLis #2 9/Outubro/2007 deLis
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Interessantíssimo como sempre. Concordo plenamente com o Sara_Mago. Mas eu gostava de reflectir sobre os termos em que o professor se exprime no último parágrafo. Ele comenta tristemente o cansaço, o mundo repetitivo e circular, a sensaçom, em definitiva, de que os modelos de confrontaçom (à margem do que essa nomenclatura significar exactamente) venham para o público a se situar como simples repetiçons, simples "outra vez o mesmo". Penso, porém, que há que aceitar que os messianismos também jogam sujo; o qual, nisto, quer dizer que converter esse confrontamento em algo repetitivo e cansativo é seguramente mais umha estratégia dos que procuram a homogenidade político-cultural. Isso me trai à memória essa recente frase do Quintana, com a que excepcionalmente concordo (e cito de memória): os nacionalistas somos pessoas de extrema paciência.

laurinha #3 9/Outubro/2007 laurinha
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A Justiça é um arma das organizaçoes espanholas, aí a continuidade franquista num achou paragem. O psoe faz a garçonada na procura de votos, mas quem com garçoes se deita ergue-se molhado.

O Pesoe decideu jogar as eleiçoes no campo do PP e coas regras do PP, e assim está já a perder o partido, pois nom é capaz de falar das cousas que interessam, de resolver problemas dos súbditos, que nom seja a asneira essa do ultranacionalismo irracional espanhol.
As propostas demagógicas em matéria de política social som o ramo, som a mostra da sua infautilidade e que isto vai polo pior dos caminhos


laurinha

AGIL #4 9/Outubro/2007 AGIL
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OPINO:
1.- Que o artigo é correto e quase indiscutível.
2.- Contudo, acho uma leve incorreção de partida e é a equiparação dos dous nacionalismos em lida, em causa ou em guerra.
3.- O "estado-nación espaÑa" foi levantado por elites de toda a parte, também nadas na Galiza, contra as nações-sem-estado (ou, antes, nações com estado [?] progressivamente destruídas e engolidas pelo "estado-nación espaÑa").
4.- Portanto, são forças díspares:
4.1.- O estado dispõe de exército, de polícia, "legitimados" por aquilo da exclusividade em exercer a violência, antes de mais, contra os seus súbditos-cidadãos, mas também contra outros não súbditos-cidadãos, como estamos a ver hoje com os imigrantes e onte com os indígenas de diversas partes do planeta.
4.2.- A nação-sem-estado acha-se inerme, submetida às leis do reino de espaÑa, a começar pela que este reino denomina "lengua propia" e a acabar pela própria organização social, como estamos a comprovar na CAG e fora da CAG, em toda a Galiza.
5.- Por consequência, achamo-nos perante "forças" muito diversas, para além de divergentes. Talvez a única eiva, sem dúvida grave, que acho nos nacionalismos não espanhóis, nomeadamente no basco, seja a de procurar imitar o nacionalismo espanhol, também na constituição dum exército (?) e na exigência de exercer violência legítima.
Mas esta parte deve ser melhor explicada, com maior precisão...

Barcelos #5 9/Outubro/2007 Barcelos
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A Baltasar Garzón o que lle fode é que ETA rompa a tregua, pero non cometa un atentado deses gordos que pon á opinión pública en contra e por iso meteu o pau na colmea, para ver se se animan.

Garzón é un auténtico provocador e debería estar no cárcere por moitos motivos: prevaricación, apoloxía do terrorismo, etc.

Celso #6 9/Outubro/2007 Celso
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Interessantes opiniões, obrigado. Destaco a de deLis, que tem muita razão ao sugerir que o meu texto se pode interpretar como uma resignação a este estado cansativo de guerra deliberadamente continuada. Pode-se interpretar assim se se quer, claro, mas não é assim, só estilisticamente: mesmo neste estado de cousas preferi não renunciar à céptica ironia. Afinal, também sobre isto está (quase?) tudo dito, e resta sobre o ombro dos que se declaram nacionalistas galegos antes que independentistas ou soberanistas provar-nos que a cedência e a aliança com o PSOE neste Regime das Autonomias vai levar a algures.

Sei também que qualquer crítica geral ao "nacionalismo" (a "teratologia do nacionalismo") fere sensibilidades porque fica sem matizar. Por isso também tem razão AGIL a destacar que não todos os nacionalismos são iguais, é evidente. Mas não procuro identificar o nacionalismo basco com Batasuna (quem o faz?; por acaso faz esta redução AGIL no parágrafo 3 quando destaca que esta é uma guerra de España contra a nação-sem-estado basca?). Opino que o facto de que parte da teratologia mítico-ideológica dos nacionalismos sub-estatais do Reino tenha origem (acção-reacção) no modelo militar que imitam também não justifica (ética ou politicamente) os seus elementos messiânicos.

Hoje houve bomba de novo. Volta a ser evidente que a Guerra Civil Española nunca concluíu... porque só poderia concluir com a instauração dum novo regime?, pergunto.

Saúde,
-celso

moledo #7 9/Outubro/2007 moledo
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Celso, poderias especificar a que te referes, ou a quê denominas, "elementos messiânicos" dos nacionalismos sem estado do Reino? Obrigado.

Celso #8 9/Outubro/2007 Celso
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Sim, elementos ideológicos messiânicos presentes em certas posições nacionalistas (sem estado ou COM estado: veja-se Israel, España), como noutras posições e ideologias políticas: redenção, salvação do "povo" que não conhece a sua verdadeira identidade, destino marcado por um passado histórico glorioso com forte componente étnico, referências hagiográficas e religiosas (mártires, heróis e santos...). Veja-se o discurso do galeguismo de pré-guerra ;-) .

Que há elementos não-messiânicos nas ideologias políticas nacionalistas? Sim, claro. Eu falo dos messiânicos, também presentes nos fascismos, no internacionalismo proletário, no ultraliberalismo...

Saúde,
-celso

moledo #9 9/Outubro/2007 moledo
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Obrigado :) Acontece que "não conhecer a verdadeira identidade", por exemplo, às vezes é difícil de separar das águas do "não conhecer simplesmente a história", caso no que obviamente podemos incluir à Galiza ou qualquer outra nação sem estado interferida por uma outra com estado e seus aparelhos múltiplos assimiladores.

OBSERVADOR #10 9/Outubro/2007 OBSERVADOR
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Esses elementos messiânicos também se observam nos comportamentos de algumas pessoas, nomeadamente em sujeitos autoritários e carentes de qualquer sentido democrático da sociedade, e que ocupam (sic) certos cargos, altos ou baixos, na organização desta.

Parabéns pelo artigo. Nada de resignação, continuemos.

Já temos dous artigos dos bons na capa de Vieiros.

Lidor #11 9/Outubro/2007 Lidor
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-"Celso, poderias especificar a que te referes, ou a quê denominas, "elementos messiânicos" dos nacionalismos sem estado do Reino? Obrigado."
-(...)" redenção, salvação do "povo" que não conhece a sua verdadeira identidade, destino marcado por um passado histórico glorioso..."

Lusismo, para abreviar? :)))

"Já temos dous artigos dos bons na capa de Vieiros."

Vaia panda de xente, que clasifica a calidade dos artigos pola lingua na que se escriben...

E vaia coa equidistancia, señor Cáccamo! Se perservera nesa liña acabará de tertuliano na SER. Vaia coidado para que non o identifiquen cun "terrorista" vasco, cun "triste gudári". As patrias non sei, pero o medo si que é libre, sáfese quen poida, eh?

AGIL #12 9/Outubro/2007 AGIL
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Continuo a explicar-me. Antes agradeço a resposta do Celso a quem de novo parabenizo.
Acho que Lidor anda obnubilado nas suas ... apreciações depreciativas ou desqualificadoras. Seria bom que, em vez que diogenesizar-se em pequeno, escrevesse algum texto sobre tema sério ou não sério... A brincar também podem tratar-se assuntos de importância.
Bom, continuo a explicar o último ponto: «Por consequência, achamo-nos perante "forças" muito diversas, para além de divergentes. Talvez a única eiva, sem dúvida grave, que acho nos nacionalismos não espanhóis, nomeadamente no basco, seja a de procurar imitar o nacionalismo espanhol, também na constituição dum exército (?) e na exigência de exercer violência legítima.»
Com efeito, o tema e objetivo são o nacionalismo sem estado e a pervivência do grupo humano nacional sem estado, mas incluído, encerrado num estado, geralmente "nacional" com intenções e fins absolutos, exclusores.
Não o vejo fácil e menos ainda no reino de espaÑa, de longa tradição ditatorial (como nestes tempos podemos ainda sentir...). Contudo, acho que existem dous caminhos, quase divergentes, mas efetivos:
1.- Um está a ser o seguido pelo independentismo basco, imitado (mal) por algum independentismo galego e mesmo catalão. É o da morte (assassínio) de representantes do "estado-nación". Há uma grave dificuldade:
a) A primeira é o grande risco de matar (assassinar) inocentes. Digamo-lo assim, em geral e em genérico.
b) A segunda é que sempre ficam representantes do "estado-nación". São nisso como a Coca Cola: sempre há e onde quer.
2.- Um segundo caminho é o seguido ultimamente pelo independentismo e republicanismo catalão, quer dizer, a destruição simbólica de símbolos:
a) Foge-se assim da morte física de humanos, inocentes ou menos inocentes ou inclusivamente culpáveis não culpados.
b) Os símbolos são, felizmente, poucos: a bandeira, o hino, a coroa. Podem alternativamente ser destruídos (queimados) um ou outro ou todos de vez.
...
Enfim, na teoria e na prática as ações mortais são "exercícios de desliberdade de oponião", enquanto as ações simbólicas são decididamente exercício real de liberdade de opinião.
Celso explicou-o em artigo precedente.
Opino:
Uma é a via da guerra, da morte, da destruição.
Outra é a via da paz, da vida, da construção.
No primeiro caso os tribunais excepcionais do reino de espaÑa podem punir com excesso e parecer que são proporcionais.
No segundo caso o excesso sempre aparecerá como tal e a desproporção ficará manifesta.
Com todas as consequências ao caso...

Celso #13 9/Outubro/2007 Celso
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Senhor Lidor: Totalmente de acordo, também há messianismo no lusismo. Se por acaso tem interesse na minha opinião sobre isto, pode ler o texto 'O "reintegracionismo" como Pátria', no Portal Galego da Língua: http://www.agal-gz.org/modules... .

Ora, o tema era outro (na minha equidistância, também não cairei em comentar o messianismo do isolacionismo). Leia melhor: mencionei eu a palavra "terrorista" para referir-me a Batasuna?

Ah, que maneira mais pobre de reduzir tudo. Como vou eu, ingénuo pacificista, ter "medo" de ser identificado com um triste gudári basco, ou com um triste pikoleto español? Medo a que ou a quem, senhor Lidor?

Leia, leia estes hinos. A mim dão-me náusea. As letras só merecem estar em español:

(1)
"Somos soldados españoles
para liberar España,
generosa es la sangre
que derramamos por ella.

Se oye un grito
desde la cumbre:
¡Vamos soldados todos
detrás de la Bandera!

Ante los rojos
España se alza en pie.
!Adelante, soldados,
liberemos nuestra patria!"

(2)
"Mis camaradas fueron a luchar,
el gesto alegre y firme el ademán.
La vida en Euskadi dieron al morir,
hoy, grande y libre, nace para mí.
Lánzate al cielo,
flecha de Euskadi
que un blanco has de encontrar.
Ya la Ikurriña canta victoria
al paso de la paz.
Ya han florecido, rojas y frescas,
las rosas de mi haz."

Um é um hino da Falange, outro o Eusko Gudariak.

Ui, enganei-me! Trabuquei "España" com "Euskadi", e "Bandera" com "Ikurriña". O demais é igual. Que equidistância!

AGIL #14 9/Outubro/2007 AGIL
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A defesa do grupo... Porque o grupo ... o homem ... sim ... o homem (mulher e varão) precisa do grupo: referência e consistência.
Portanto, se precisa, o grupo é necessário.
Mas há grupos e grupos: Um é o eleito, livremente eleito; outro é o obrigado, escravizador.
O eleito pode ser deficiente, mas preciso.
O obrigado pode ser eficiente, em excesso, mas esmagador.
Qual desses grupos merece ser chamada de pátria? Ou mátria?
Podem equiparar-se?
Contudo, o grupo, num e noutro caso, ultrapassa o círculo familiar ou famular...

OBSERVADOR #15 10/Outubro/2007 OBSERVADOR
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Já temos dous artigos dos bons na capa de Vieiros e um bom debate aqui mesmo.

Não se engane o (demo)Lidor, a qualidade dos artigos não é pela sua correção linguística (pega-lhe nas vistas?), ainda que também influi, mas pelos assuntos abordados e o jeito de o fazer dos autores/as, o que fica patente na qualidade dos comentários.

Celso #16 10/Outubro/2007 Celso
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Circula um comunicado pedindo a libertação de todas as pessoas detidas, "Stop à repressom - Liberdade para tod@s @s detid@s -Solidariedade com Euskal Herria":

http://gz-ehsolidariedade.blog...

Já tem 163 assinaturas. Desde agora mesmo, uma mais.

AGIL #17 10/Outubro/2007 AGIL
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Sobre o tema fundamental, acabo de ler este artigo em GARA:

«2007 octubre 10.- Iñaki Egaña escritor: "Los vascos podrán ser españoles gracias a una fórmula revolucionaria"

»Una vez Fraga dijo que para que la ikurriña fuera legal antes habría que pasar por encima de su cadáver. Cené con él hace unos años (hoy lo reconozco después de tantos remordimientos) en el Galeusca que se celebró en Santiago. Es cierto que se aplicó un sinfín de pastillas con la sopa, pero aún no era fiambre y la ikurriña lleva un buen ciclo permitida, al menos en muchos espacios.
»En otra ocasión Iturgaiz, tan remoto en el tiempo que he olvidado su nombre, afirmó que las elecciones regionales eran, en realidad, plebiscito: independencia o solera de España. Triunfaron los partidos de Lizarra-Garazi, que eran los destinatarios de su rotunda afirmación. Y, a pesar de ello, nuestra casa sigue siendo propiedad borbónica. Fernando Iwasaki, un peruano de origen asiático, ofreció una lección magistral hace 15 años (esta vez lo recuerdo porque tengo la ficha) a responsables periodísticos, judiciales y policiales: para acabar con ETA hay que buscar el enfrentamiento civil. De aquella sandez surgió el espíritu de Ermua y del mismo la reciente UPD del triunvirato Rosa Diez - Savater - Vargas Llosa. Nacieron en el siglo equivocado. Tenemos memoria, afortunadamente: los joseantonianos nos dejaron el país cubierto de difuntos furtivos, en las cunetas. ¿Quién es víctima? Primer punto de Falange: «Creemos en la realidad suprema de España. Afirmarla, elevarla, perfeccionarla es el deber urgente de todos los españoles». Fraga, Iturgaiz, Savater...
»Felipe González, Ricardo García Damborenea, Antonio Ibáñez Freire («aunque se escondan en el centro de la tierra»), Andrés Cassinello («prefiero la guerra a la alternativa KAS»), Rafael Vera, Narcís Serra, Luis Carrero Blanco, Rodolfo Martín Villa («ganamos dos a uno»), Agustín Muñoz Grandes, Jaime Mayor Oreja, Pepe Barrionuevo, José María Areilza («vaya que si ha habido vencedores y vencidos»), Javier Corcuera, Carlos Arias («españoles -suspiro-, Franco ha muerto»), Juan José Rosón, Angel Campano... ¿cuántos han pasado por la cúpula de la hispanidad? Rojos, amarillos, azules o escarlatas, ¡qué más da el color! Ante la realidad suprema que es España el resto es nimiedad, una pequeña estrella en la inmensidad de la galaxia rojigualda.
»En fecha distante, aunque no lejana (octubre de 1958), un diario egipcio, cuyo nombre no viene al caso, informaba que la millonaria griega Eva Chrisenti, residente en Alejandría, había dado con una fórmula magistral. La agencia alemana Dpa, que recogía la noticia, titulaba en su crónica: «Los negros podrán ser blancos gracias a una fórmula revolucionaria», y abría un par de párrafos delirantes en los que recogía la noticia de una sustancia que, inyectada en el ser humano, lograba cambiar la pigmentación de la piel. El invento, que ya había sido patentado, «puede poner fin a todos los conflictos raciales de la tierra», sentenciaba «La Voz de España», que es el diario más cercano al que he echado mano para meterme semejante chute.
»Lo anormal del tema, que ya habrá percibido el lector, tiene que ver con la mentalidad anormal, valga la redundancia, de la inventora de la pócima, de la agencia que la trasmite y del diario que la comunica. El cambio de pigmentación se admite de negro a blanco, y no por ejemplo, al revés. Esos tres agentes sólo concebían que la humanidad fuera blanca y, con eso, habrían desaparecido «todos los conflictos raciales». Necedad elevada a su máxima expresión. Y, sin embargo, los medios de la época, capitalistas los unos, académicos los otros, falangistas finalmente los de aquí, le dieron portada.
»De la misma manera, el «conflicto vasco» se entiende en clave de transformación de negro a blanco. No pasa siquiera por la imaginación de las sesudas y especialmente dotadas mentes arriba citadas (algunas, bien es verdad, en proceso de compostaje) que los negros deseen seguir siendo, pues eso, negros. Me parece tan evidente que no acierto a entender el empecinamiento falangista hispano. Y, quizás, esa torpeza se encuentre en las tesis del eminente psicólogo Cyril Burt, que explicaba científicamente la diferencia abismal de coeficiente intelectual entre blancos y negros (a favor de los primeros, por supuesto), o en la agudeza intuitiva del mago de las palabras que fue Borges, cuando dijo que «los vascos me parecen más inservibles que los negros». Pues será eso.»

ecoe #18 10/Outubro/2007 ecoe
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A min seméllame que no artigo confúndese o que se critica noutros, sendo así nele inexplicadamente chamados os abertzales como "gudaris de Batasuna". Obviamente NON SON GUDARIS, nin siquera figuradamente pola RESISTENZA ACTIVA con que enfrontan os ATAQUES INSTITUCIONAIS DE TODO TIPO.

Ou non?

BonKarallan #19 10/Outubro/2007 BonKarallan
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Parabens, mais non che esquezas, #13, Celso que nestes foros hai moitos patriotas.

teixugo #20 10/Outubro/2007 teixugo
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«O Pensamento Luso-Galaico-Brasileiro entre 1850 e 2000» em debate na Católica

http://www.oprimeirodejaneiro...

Celso #21 11/Outubro/2007 Celso
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Car@ ecoe, como sabe, isso dos gudáris (=combatentes, soldados, segundo a tradução) é uma retórica militarista que empregam alguns deles próprios (homenagem aos "mártires" da ETA que morrem com uma bomba no seu próprio carro, cantos e cânticos, etc. etc.), como o senhor Zapatero nos prepara para o "combate" ou como o senhor Rajoy canta as excelências da bandeira rojigualda que cobre o corpo dos soldados españóis (ui, e galegos!) mortos pola Patria da Guerra em Paz ou da Paz em Guerra, que já nem sei (quando os ministérios se chamavam "da Guerra", e não "de Defesa", as cousas estavam mais claras).

Eu felizmente não tenho experiência com escopetas. Em 1979, isso sim, quando morava na Catalunha, conheci um moço de Terra Lliure duns 21 anos, como eu, que andara desde os 13 com uma pistola na algibeira, perfeitamente treinado nisso de pegar tiros (embora nunca disparasse nenhum contra pessoas). Acabava de deixar a adição, conseguira sair da seita, e contava-me que ficara totalmente doido, maluco, louco, tolo, fora de qualquer realidade, e estava passando por uma dura fase de desprogramação psíquica.

Outros hominhos, a chegarem a esse ponto de inflexão de ora abandonarem a pistolinha que lhes nasceu ao mesmo tempo que o pêlo púbico, ora continuarem a cultivar segundo fálus vitalício, optaram polo "subidón" da hipersexualidade fazendo-se legionários ou mercenários de Blackwater no Iraque. Ou guardas civis. Mesma diferença, como dizem em inglês. Dizia-me uma vez em México um ex-mercenário dos EUA que estivera em Angola (e em Nicarágua, onde, a propósito, dizia que conhecera pessoas da ETA) que matar dava um "high" aditivo de adrelanina que para que as anfetas.

Mas mesmo entre os gudáris há classes, até para a Propaganda. O próprio panfleto chamado EL PAÍS que sataniza Batasuna entroniza a toda página no mesmo dominical número a figura do Che, um "ícone" duma geração, dizem.

De maneira que o discurso não o inventei eu. Eu só ecoo, ecoe.

lostrego #22 11/Outubro/2007 lostrego
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Pois eu defendo o cumprimento da Lei que implicaria a Paco Vazquez e a algúns membros do PNV na cadea ou inhabilitados

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