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Beramendi e os primeiros tempos da UPG

13:27 04/02/2008

Com motivo do meu primeiro artigo e de alguns dos comentários que se figérom ao mesmo, decidim aprofundar mais um pouco sobre o tratamento que fai Beramendi do tema.

Em primeiro lugar voltei a examinar o livro sobre o nacionalismo galego publicado polas Edicións A Nosa Terra (trabalho com a segunda ediçom, Novembro de 96, que corrige e amplia a primeira). O livro está escrito em colaboraçom com Núñez Seixas polo que nom sei a quem atribuir os pormenores que comento.

Na página 211 informa-se de que do Consello da Mocedade fomos excluídos “por comunistas” Méndez Ferrín, B. Álvarez, Moreda, “Foz”, Arjona, Manuel María e algúns máis. Se calhar, aqui está a fonte do erro que figura no livro publicado por La Voz de Galicia, esta lista coincide aproximadamente (com a minha exclusom) com a lista de “fundadores” que aparece no segundo. Quando fala da criaçom da UPG o livro de Beramendi e Núñez Seixas ignora-me igualmente.

Na página 214 diz-se textualmente: O segundo eido de actuación, máis importante, foi a penetración nos medios universitarios desde 1966: concretamente na Universidade de Santiago e na Universidade de Madrid, onde a UPG tivo certa forza. Na universidade compostelá afiliouse un grupo activo de estudantes à UPG, liderado por Sanxoás.

Outra volta o livro cai na inexactitude. Se é certo que durante bastante tempo a UPG de Santiago estivo dirigida por Sanjoás isso ocorreu algo mais tarde. Além disso, já no curso 64/65 havia um fato relativamente numeroso de militantes da UPG na Universidade de Santiago, mas era eu quem o dirigia e nom Sanjoás. O mais grave é que este texto está em contradiçom com a nota rodapé que nele se insere. A nota diz: Concretamente, os nacionalistas colaboraron nos primeiros tempos coa Asamblea Libre de Estudiantes (ALES), fundada no curso 1964-65 e na que nomeadamente dominaba o PCE. Tamén axía na Universidade compostelá a Agrupación Democrática de Estudiantes de Galicia (ADEG)...  A ALEU era umha plataforma na que se juntavam estudantes antifascistas situados politicamente à esquerda de ADE (nesta militava Sanjoás nessa altura). Nom é certo que estivesse dominada polo PCE, para além dos “nacionalistas” que nom éramos outros que os militantes da UPG, agrupava independentes de esquerda como José Maria Calviño, republicano, ou o infelizmente desaparecido Docanto Fanego que estivera ligado ao DRIL. O PCE era quem nos editava a propaganda por dispor dos meios necessários; este pretenso domínio do PCE é algo que vem do livro de Santidrián sobre a história do PCE na Galiza, este autor sobressalienta  o rol do PCE neste e noutros casos como na luita contra o encoro de Castrelo de Minho.

Umha grave contradiçom no livro de Beramendi e Núñez Seixas acha-se nas páginas 215 e 217, na primeira fala da viagem de Méndez Ferrín a Buenos Aires onde contacta com o Conselho de Galiza. Esta viagem realizou-se em 1968, como se di no livro, e rematou com umha paragem em Venezuela onde Méndez Ferrín entrevistou-se com Celso Emílio. O mais curioso é que na página 217 afirma-se: A iso uniuse o translado a Madrid en 1968 dalgúns dirixentes, entre eles Mª Xosé Queizán e Méndez Ferrín...

Estadia em Madrid
Em que quedamos? Além disso, Méndez Ferrín como funcionário nom podia transladar-se sem mais nem mais; em 1968 realizou a vigem antedita e ao chegar foi encarcerado durante um breve período de tempo, pouco depois foi declarado o estado de excepçom  e Méndez Ferrín, encarcerado de novo, desta volta passou anos antes de poder sair da cadeia. A estadia em Madrid é algo que nunca tivo lugar: é possível que estivesse ali alguns dias antes de tomar o aviom para América.  

No mesmo parágrafo da página 217 há outro erro importante. Falando da primeira crise da UPG, a de Torres, afirma-se: a orixe foi a entrada na UPG de elementos procedentes do grupo Federación de Comunistas (xurdido dunha escisión de ETA no 1967, que daría lugar posteriormente ao Movimiento Comunista de España)... É  difícil acumular mais erros em tam pequeno espaço: a FECO era um grupo que surgiu em Madrid, este fato acabaria por se integrar no MC; o núcleo mais importante do MC si que procedia de umha cissom de ETA, esta cissom tomou o nome de ETA berri que logo mudou polo de Movimento Comunista Vasco Komunistak; por último nom fôrom militantes de FECO os que entraram na UPG, a UPG de Madrid, dirigida nessa altura por José Torres, colaborava com a FECO e esta colaboraçom acabou com a entrada de Torres e alguns mais, também na Galiza, em FECO.

Na página 220 Beramendi e Núñez Seixas falam de como em 1974 a UPG, a Uniom Democrática Bretoa e o Movimento Republicano Irlandês redigem a que foi conhecida como “Carta de Brest”. O dato é exacto, o tratado assinou-se a três de Fevereiro desse ano mas, outra volta, Beramendi e Núñez Seixas ignoram o rol jogado por mim. Os redactores do documento, cada um se fijo cargo de umha parte, fomos o desaparecido Carlos Joám Diaz Martínez, por parte da UPG; Hervé Grall, dirigente da Uniom Democrática Bretoa; e Eoín O’Murchu, representando o Movimento Republicano Irlandês. Até tiramos umha fotografia no momento formal da assinatura.  

Na página 221 Beramendi e Núñez Seixas perdem outra oportunidade de citarem o meu nome quando dim: A través dos contactos coa ETA (p-m), fundamentalmente vía algúns militantes da UPG en París –(onde se publicaban os textos conxuntos entre a UPG, a ETA e o PSAN (p)... Era eu o dirigente da UPG em Paris nessa altura; aliás, os textos conjuntos nom se editavam em Paris, editavam-se em muitos lugares ao mesmo tempo e em diferentes línguas (galego, vasco, catalám, espanhol, francês,...). O que é verdade é que o primeiro dos três que se figérom redigiu-se em Paris, vinhera um camarada do interior, mas nom assi os outros.

Na monumental e de grande valor obra de Beramendi De provincia a nación: historia do galeguismo político aparece na página 1.083 em nota a rodapé a mesma informaçom equivocada sobre os fundadores da UPG que logo se translada ao livro editado por La Voz de Galicia: Formaban parte do grupo fundador algúns de máis idade como o comunista Luís Soto ou Celso Emilio Ferreiro, antigo dirixente das Mocedades Galeguistas, e os mozos Xosé Luís Méndez Ferrín, Bautista Álvarez, María Xosé Queizán, Manuel María, Antón Moreda e Raimundo Patiño. A única diferença é que no livro de Xerais Luís está correctamente acentuado mentres que no de La Voz de Galicia faltam os acentos.

Citas

Porém, tampouco Beramendi evita citar-me por sistema. No livro de La Voz de Galicia, páginas 49-50, informa: Segundo Víctor Santidrián, no curso 1964-65 só había dous militantes propiamente ditos de partidos clandestinos na Universidade de Santiago: Luis Cochón do PCE en Filosofía e Luis González Foz da UPG en Ciencias.

Ainda que Beramendi dá a sua fonte, considero devia contrasta-la; resisto-me a pensar que camaradas como Perfecto Conde, Camilo Díaz (filho de Díaz Pardo), Mauro Fernández, Arturo Reguera, Federico Ordax-Avecilla e alguns mais nom fossem “propriamente ditos”.

Venho seguindo o trabalho de historiador de Beramendi desde que, em 1.981, publicou o seu magnífico trabalho sobre Vicente Risco no nacionalismo galego. Considero-o um importantíssimo historiador do nosso nacionalismo. Por isso sinto mais que apareçam erros nas suas obras, nomeadamente quando trata do nacionalismo mais recente. Se calhar, a responsabilidade destes erros nom é sua, em ocasions, mas de Núñez Seixas. É algo que nom podo esclarecer. O mais grave, a meu ver, é a utilizaçom de bibliografia nom contrastada, como no caso de Santidrián. Este autor recorre a fontes orais e testemunhas, considero que Beramendi devia ter feito o mesmo, sobretudo porque, de momento, ainda ficamos muitas pessoas que participamos nos feitos que contam e, que polo menos no meu caso, nom teríamos nengum problema em colaborarmos com ele dando-lhe a informaçom de que dispomos.

Quero rematar agradecendo-lhe a Beramendi o seu trabalho e sentindo que se veja lixado por pormenores como os que tentei de esclarecer. 

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Comentarios (10)

Sr_J #1 4/Febreiro/2008 Sr_J

Pois moitas graças a Foz por esclarecer, tanto neste como no anterior artigo, uns dados que nom por secundários som menos interessantes; quando menos para os que nos gusta saber acerca da história da autoorganizaçom do nosso povo.

Pedrel #2 4/Febreiro/2008 Pedrel

Grazas polas aclaracións. Os historiadores terán que tomar debida nota desto e publicar as correccións na Voz e noutro periódico.Mendez Ferrin estivo en Bos Aires e hai alí (tamén eiquí) xente que pode dicer moito desa visita. Mirar as hemerotecas.

EVAZSOU #3 5/Febreiro/2008 EVAZSOU

Há tanto que re-ler. Tanto que re-escrever,

Parabéns Foz

luisfoz #4 5/Febreiro/2008 luisfoz

Revisando o meu texto observo que, inadvertidamente, omitim que na redacçom da "Carta de Brest" por parte da UPG éramos dous os assinantes e redactores do texto; para além do saudoso Carlos, estava eu.

Canledalebre #5 5/Febreiro/2008 Canledalebre

E QUE TAL SE VOS ANIMARADES ENTRE TODOS (OS QUE ESTIVECHEDES ALI) A ESCREVER A VERDADEIRA HISTORIA DETE ASUNTO DUNHA PUÑETERA VEZ E ASI EVITABAMO-NOS DARLLE TANTAS VOLTAS. POR SIMPLE CUESTION DIDACTICA. PESE A TODO GRAZAS POLAS ACLARACIÓNS, FOZ.

OBSERVADOR #6 5/Febreiro/2008 OBSERVADOR

É uma sorte contar ainda com as personagens vivas das histórias para corregirem as Histórias que outros sobre elas fazem.

ANGR #7 5/Febreiro/2008 ANGR

Acabo de corrigir o texto com as tuas aclarações. Obrigado.

Xabi1 #8 6/Febreiro/2008 Xabi1

Sí, esta-se a escreber a historia oficial da Nazón Galega, a historia regurxitada polos historiadores oficiais, a historia para socios de Casino. E nese camiño hai que eliminar fontes, voces, persoaxes... Os profesores universitarios nomeados, a saber cántos goles meteron en própria a beneficio do inventario historiográfico oficial (eu cachei un na "biblia galeguista de don Justo: a revista SER editou-se en 1936, eu teño fotocopias dun número, bah, ren comparado co que descoñezo e dou por bon).
Bon, construir Nazón tamén implica este tipo de manexos e de ninguneos.

muntxaraz #9 6/Febreiro/2008 muntxaraz

mais importante se calhar que o sectarismo de Francisco ("Paco") Rodríguez e da UPG cujas causas nom tem sentido abondar pois som bem expostas por Luis Gonçáles Blasco (Foz)nas suas escritas, pareceme a negaçom a deturpaçom dos processos políticos e as falsas análises das cojunturas políticas sobre todo no referente ao processo do Independentismo que é o que se está a deturpar, negar e mistificar. É umha mágoa que estes historiadores polo seu posiçoamento políco evidenta nom tenham escrúpulos à hora de recorrer a fontes tam pouco dignas de acreditaçom como as que consultaram. Estam aviadas as futuras geraçons de galegos e galegas se querem fazer memória histórica a base de tanta falsedade documenta. Animo ao Irmao "Foz" a seguir esta linha de reconstruçom da memória histórica revolucionária e a que os que ocultam e tergiversam a realidade política como fam estes historiadores que cita "Foz" e tantos outros que nom cita
"Foz" explique ao Povo o porqué desta falsificaçom de datos (por activa e passiva) e que digam quais foram as fontes orais ou documentais nas que se informaram. Mais nada polo dagora. Para "Foz" mais umha vez mais o meu reconhecimento pola sua honestidade revolucionária sempre ao serviço da Independência da Galiza que coido é motivo que tanto doe reconhecer aos que fizeram derivar o nacionalismo revolucionário e comunista ao rego do reformismo pequeno-burgués nacional autonomista. Ramóm Muntxaraz

Xabi1 #10 6/Febreiro/2008 Xabi1

Con que premura desapareceu esta noticia ou comentario!!.
Queiran ou non, mentres hexa protagonistas dos feitos, haberá memoria e Foz está entre nós para precisamente facer memoria. Como tantas outras persoas que non queren falar ou que prefiren calar... non vaia ser que a súas posicións políticas mudaran tanto e tanto e tanto que resultaran de todo ponto irrecoñecibeis.
Que conste que estas couasa acontecen en todo tipo de organización, xerárquica ou non, que a historia sempre está realizada desde o ponto de vista oficial e, no caso de Galiza, desde o ponto de vista do Poder. Ai, se algún que fica e mora hoxe no Cortello da Cultura Galega contara cousas...
Mais o importante e relevente hoxe, aquí e agora é transmitir unha historia de Galiza na que non haxa máis santos que Filgueira Valverde, Francisco Rodríguez, Joselito Beiras e, dentro de pouco, Francisco Jorquera e Benito Lobera.
Con esta xente... qué inventarán de Nunca Máis!!

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Luís Gonçales Blasco (Foz)

Luís Gonçales Blasco, mais conhecido por "Foz", nasceu em Foz em 1.941 e é professor aposentado de Língua e Literatura. Foi membro do Consello da Mocedade e um dos fundadores da Unión do Povo Galego. Em 1968 tivo que exiliar-se a França onde se licenciou em Lingüística Geral na Universidade de Paris VIII. Abandona a Unión do Povo Galego em 1978 integrando-se no Patido Galego do Proletariado; depois militaria em outras organizaçons independentistas como Galiza Caive, a primeira Frente Popular Galega ou a Assembleia do Povo Unido; na actualidade nom forma parte de nengumha organizaçom política. Publicou em revistas ou em obras colectivas alguns trabalhos sobre língua e literatura galegas e sobre a história do nacionalismo galego contemporáneo.