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ENTREVISTA CO AUTOR DE "L’AFFICHE ROUGE"

Mario Regueira: "O papel da nosa produción literaria é unha eterna promesa"

A novela preséntase en Barcelona na Galería Sargadelos este sábado 15 coa presenza do autor, nun acto organizado por Espazo Galego. Unha entrevista de Ângelo Pineda.

Ângelo Pineda - 17:30 13/09/2007

O sábado 15 de Setembro terá lugar às 18:00, na Galeria Sargadelos de Barcelona (Carrer Provença 276) e organizado polo Espaço Galego dos Països Catalans, a apresentaçom do romance L’affiche rouge (ed. Xerais). Apresentaçom que contará com a pressença do seu autor, o ferrolão Mario Regueira; quem exporá a sua visom do primeiro romance da sua autoria.

Mario Regueria publicou, para além do romance, o livro de relatos Rebelión no inverno (também em Xerais, 2004), e o poemário Tanxerina (Espiral Maior, 2006). Em L’affiche rouge, um grupo de jovens galegos “auto-exiliados” na Bretanha, iniciam-se na vida adulta entre o desencantamento prematuro polas ilusões frustradas, e a necessidade de transgredir a realidade que as frustrou. Falamos com Mário, além da sua obra, em diversas questões literárias e culturais.

Ângelo Pineda: Nom há muito, referiche-te à liberdade como contrapartida positiva à falta de perspectivas de fazer carreira literária na poesia galega. Acontece o mesmo com a narrativa?

Mario Regueira: Em linhas gerais sim, ainda que a narrativa requer um esforço maior, por parte do autor e das editoras, do que a poesia. E também há menos prémios e oportunidades de publicaçom, polo que o risco de nom poder editar é maior. Seguro que na Galiza há mais novelas nas gavetas do que poemários.

A.P: Em 2004 publicache o livro de relatos Rebelión no inverno; em 2006, o poemário Tanxerina, que che valeu o Prémio Nacional de Poesia Xose María Perez Parallé; e nom há muito, saiu do prelo o teu primeiro romance... Em que género te sintes mais cómodo como escritor?

M.R: Nom acredito muito nos géneros para além dum determinado auxílio classificativo, gostaria de escrever cousas que se classificarem a posteriori (e que as classificarem outras pessoas), ainda que é quase inevitável ficar atado a certas inércias umha vez que um projecto determinado vai tomando forma. Em L’affiche rouge, por exemplo, o primeiro capítulo na sua primeira versom estivo a piques de converter-se num conto individual; e há algumha parte que, mudando a disposiçom, passaria por poesia contemporânea; também algum camarada próximo ao mundo do teatro me tem falado da utilidade dramática dalgum capítulo de diálogos. Em qualquer caso, assumo a criaçom literária como acto único, e nom me sinto mais novelista do que poeta ou dramaturgo.

A.P: No teu romance L’affiche rouge, os jovens protagonistas do relato parecem buscar referentes identitários num contexto de alheaçom do próprio País. Achas que existe esta orfandade de referentes na mocidade galega actual?

M.R: Eu acho que existe o feito de que a maior parte dos referentes som arrebatados nalgum momento; já seja polos entes comerciais, como por determinadas ideologias. Passou-se com elementos culturais como o folque, e também com referentes pessoais (a peleja polos restos de Castelão sempre será um bom exemplo). De todos os jeitos, isto também tivo ou está tendo consequências positivas, como a revalorizaçom de referentes marginais próprios ou a procura de figuras internacionais (e internacionalistas).

A.P: Nesta relaçom dinâmica de construcçom da pessoalidade individual e colectiva através da selecçom de referentes identitários, nom necessariamente nacionais, mas úteis às próprias necessidades de emancipaçom... Que lugar queda ao que conhecemos como "cultura galega"?

M.R: Acho que toda leitura desses referentes feita desde Galiza é cultura galega; ainda que seria injusto e insuficiente reduzi-la só a isso e negar a importância dos nossos referentes ocultos e marginais, assim como a capacidade de projecçom futura de parte dos movimentos sociais e culturais de hoje em dia.

A.P: Em L’affiche rouge ofereces umha reinterpretaçom dos referentes identitários clâssicos do galeguismo. É o caso do celtismo exemplificado na Bretanha, onde se desenvolve grande parte do romance. Poderias falar um bocado nesta questom?

M.R: Acho que há um certo trauma associado ao celtismo, a prova é que ainda hoje formula debates apaixonados. A postura que pretendo representar na novela é a de que os referentes identitários som umha questom de escolha pessoal e social, nom de origem histórica. Neste sentido, o celtismo contrapom-se e complementa-se, ao tempo, com a pressença de figuras como Bob Marley, com um discurso que pode estar mais próximo aos problemas da mocidade galega.

A.P: Mencionache Bob Marley. Neste senso L'affiche rouge está cheio de alusões musicais e outras relativas ao que poderiamos denominar "cultura pop". Achas que existe umha leitura "nom apocalíptica" da chamada "cultura de massas"?

M.R: Acho que existe aproximadamente até princípios dos 90, antes da última fase do capitalismo selvagem, quando se despojou a cultura de massas, que ainda tinha a sua dimensom social; e se converteu na sua maior parte, num simples producto comercial. Parte da estratégia consistiu na manipulaçom do legado prévio. Isso evidencia-se, por exemplo, no uso das canções dos Clash para inspirar o exército estado-unidense nos bombadeios de Bagdade. Na novela há um momento no que umha das protagonistas repara na força política das letras de Bob Marley, umha figura que hoje se vende como um ícone dumha rebeliom branda e adolescente.

A.P: Umha constante que se manifesta nalgum dos teus relatos e no próprio romance parece ser o desencanto. Quais som para ti as raizes desta desilusom generacional?

M.R: Obviamente políticas; por umha banda, a impossibilidade de Galiza artelhar umha ruptura real e definitiva com a dictadura até há um par de anos, e de impedir o consequente deterioro dos nossos elementos identitários. Num nível pragmático, a impossibilidade de desenvolver um futuro pessoal sem a sombra do desemprego, a precariedade, a emigraçom...

A.P: A risco de formular umha questom clâssica e tópica, atribuis algumha funçom social à literatura galega? Qual é, segundo a tua opiniom, o papel que tem reservada a nossa producçom literária no contexto de Galiza?

M.R: Acho que a literatura galega deve ter o mesmo papel na Galiza que qualquer outra literatura do mundo no seu lugar de origem. Às vezes, quando se acusa a sua excessiva politizaçom, esquece-se que todas as literaturas do mundo, especialmente as de contextos de opressom, estam politizadas. Creio no paradoxo de que os livros pretendidamente apolíticos som precisamente os mais politizados, porque apostam pola práctica concreta do silêncio e da assunçom dumha situaçom determinada. Isso nom quer dizer que acredite numha “funçom social” de tipo clâssico: a principal funçom da literatura é criar histórias e fomentar a reflexom, singelamente é ingénuo pensar que isso poida fazer-se desde umha perspectiva que exclua completamente as questões sociais. A própria escolha dumha língua de expressom já é um primeiro posicionamento político.

O papel da nossa producçom literária é umha eterna promesa, ou na linha de Xurxo Borrazás: os escritores galegos valemos mais mortos do que vivos. Polo de agora, ainda com as pequenas vantagens de liberdade e experimentaçom que oferece viver nas margens, urge multiplicar os leitores das distintas expressões escritas do galego, algo que na Galiza passa mais pola educaçom e a política linguística do que polas campanhas de mercado.


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