A Real Academia Galega decidiu, en sesión extraordinaria, tributarlle este recoñecemento ao poeta do Courel.
A súa candidatura colleitou numerosos apoios do mundo da cultura galega
Finalmente o escollido foi o poeta do Courel. Uxío Novoneyra converterase, no ano no que se cumpre o décimo aniversario do seu pasamento, no poeta homenaxeado no Día das Letras Galegas 2010. Impúxose así aos demais candidatos, nomeadamente ao que chegaba con máis forza á xuntanza deste sábado na que os académicos tomaban a decisión, Ricardo Carvalho Calero.
Novoneyra naceu en 1930 na localidade luguesa de Parada do Courel e morreu en Santiago en outubro de 1999. Relacionado durante a súa xuventude con intelectuais e artistas como Manuel María,Luis Pimentel, Anxel Fole ou Ramón Piñeiro, volveu a residir no Courel entre os anos 1953 e 1962, unha volta que deixou unha profunda pegada na súa obra.
Nestes últimos tempos, a súa candidatura colleitou moitos apoios. De entre os que pedían o Día das Letras para Novoneira, destaca un colectivo de persoas que dende hai case dous anos realizou unha grande actividade na rede e que recabou máis dun milleiro de sinaturas individuais e de colectivos. O pasado mes de abril Amigos de Uxío Novoneyra entregoulle ao presidente da Real Academia Galega as 1.041 sinaturas de apoio, entre as que están mensaxes de José Viale Moutinho, Juan Gelman ou Agustín Fernández Paz.
Xa estamos coma tódolos anos, PARA CANDO AS LERTAS PARA CARVALHO¡¡¡
A RAG continua mais um ano com a sua política isolacionista, de costas dadas para o movimento reintegrecionista. Continuamos na liga regional, na que o "gallego" é umha língua satélite da magna e comum língua espanhola.
Sem desmerecer ao Ugio, @ que conheça a figura de Carvalho Calero, sabe que tem méritos mais que suficientes para que se lhe tivesse dedicado este dia, nom este ano, senom muito antes.
"Os eidos" é do que máis me gustou do que lin en poesía.
Ugio merece esta distinçom, sem dúvida.Mas nom é o momento.No ano em que se fam 100 anos do nascimento de Ricardo Carvalho Calero e 20 da sua morte, nom se lhe dedica a um homem que participou na elaboraçom do estatuto do 36, luitou contra o fascismo na guerra civil e pagou no cárcere por isso, cultivou todos os géneros literários e defendeu a visom internacional da nossa língua.
A RAG fede...nom podem ser mais sumamente sectários.Esse era o ano de Carvalho.Já vam anos e anos de campanhas ao seu favor, neste caso com o apoio das concelharias de cultura de 6 das 7 cidades do país, mas nem assim.
A RAG dá vergonha.
De resto, bravo por Ugio.
Eu penso que ao Carvalho vanlle facer unha homaxe e terá o seu día das letras. Non ten que ver polo xeito de escribir, porque fixo moitos libros en galego semellante ao da RAG, logo pasouse ao outro nos últimos textos que escribiu. Non creo que sexa por iso.
De tódolos xeitos o Uxio era bo, pero non escribía tan ben como outros, nen como Carvalho Calero.
#6: si que foi esse o motivo; Carvalho Calero está sendo apartado por ser um símbolo do reintegracionismo. Isto foi admitido abertamente o ano passado polo presidente da RAG, veja-se esta entrevista ao Barreiro em agosto do 2008 (a entrevista completa pode-se ler aqui: http://www.agal-gz.org/modules... ):
- Conhecia a campanha a favor de dedicar o Dia das Letras a Carvalho Calero? Nom foi Ramom Pinheiro umha proposta contra Carvalho?
- Claro que conheço, nom vou conhecer! Recebim-nos aqui duas vezes, e dixem-lhes claramente as poucas possibilidades que havia, ainda que eu ia jogar essa carta, porque tem apoios. Precisamente polo tinglado este da Lusofonia [em relaçom ao debate parlamentar sobre o Acordo em Lisboa] dixo-se: ‘Nom é o momento’, porque ia ser interpretado como que a Academia lhes cede um espaço, assim de claro cho digo.
- E algum dia será possível?
- Oxalá fosse o ano que vem, que ainda estou eu. Foi o meu mestre, umha pessoa querida para mim. Tenho o inconveniente dos filólogos aqui da Academia, mas todo se pode solucionar, também Ramom Pinheiro tinha muitos inconvenientes e foi escolhido...
Ou seja, que Barreiro (ainda que se apresenta como o "poli bom") admite abertamente que houvo veto a Carvalho Calero. É moi triste que isto seja assim.
Todo isto, independentemente da valia de Novoneyra, que para mim é um dos maiores poetas da nossa literatura (e mesmo um favorito persoal). Se não for porque Carvalho levava vários anos sendo proposto, mesmo diria que Novoneyra era o melhor candidato possível. Acho que nos podemos alegrar que se vaia homenagear um autêntico gigante como el, e não um segundom como no 2009.
Merecido, desde logo. Mas à RAG vê-se-lhe cada vez mais a fobia a todo o que cheire a reintegracionismo. Perde legitimidade a cada dia que passa.
Eu respeito a figura, a vida e a obra de Novoneyra em proporçom inversa ao meu desprezo por essa carne que é o senhor Fernández Barreiro. Olhai as suas carnes flatulentas (na entrevista referida por #7) nos giros: "seria interpretado como", "nom vaia a ser", etc., e nas frases: “a Academia nom vai prostituir a sua funçom” (sc., tendo umha maior visibilidade e incidência públicas a prol do maior uso do galego) mais a forma “Galiza” “nom foi aceite para a representaçom do País porque levaria consigo umha reforma do Estatuto”: ou seja, esforçar-se por inverter o processo de desapariçom do galego é prostituir-se; ceder no nome do país (pola “pressom constante” do “dono da Voz de Galicia”, por arrejuntar expressoms separadas no texto da entrevista, e ser fieis á realidade) por nom mudar um texto redigido em 1981, isso -é ser responsável.
Realmente pestilente o da RAG.
#6 Sim tem a ver a forma de escrever, e o próprio Xosé Ramón Barreiro tem afirmado que poderia causar problemas à RAG designar um Dia das Letras para Carvalho Calero. Valente estupidez.
De resto, merecida homenagem a de Uxío Novoneyra, com certeza um dos melhores escritores que deu este país.
Carvalho Calero será igualmente homenageado em 2010, e se a RAG não se lembra dele, a Galiza não se esquecerá.
A RAG tiña unha boa oportunidade de distanciarse dos antigalegos escollendo este ano a Carvlho Calero, sería unha forma de darlles nos narices. Pero non foi así e escolleu un escritor que tamén o merecía, pero que ben podía esperar un ano.
Vese que ARG está máis preocupada por non molestar aos gobernantes. Dicía onte un académico, profesor respectado, que os galeguistas sempre fomos moi educados, e que ao mellor agora pedíasenos que non o foramos. Pois unha boa forma de rebeldía sería homenaxear a Carvalho nestes tempos tan cruciais.
pois eu para O día das letras propoño a Valle-Inclán ou Cela
A escolla non podía ser mellor. Parabéns
Não pode permitir-se que continue a ter crédito quem defenda um país e uma cultura subordinada. Cada dia é mais evidente que as/os reintegracionistas temos de contra-programar, não com o único afã de fazer oposição, mas como medida para não desaparecem as nossas referências entre um governo nacionalista espanhol e uma RAG ridícula e necrosada. E essa programação deverá ser atraente e contundente. E também pensada - não se trata de contra-programar Ugio Novoneyra, mas de contra-programar a RAG, o conceito de C.A.G. e tudo que signifique um reducionismo conduzente, na realidade, à desaparição.
Deixai de lhe pedir cousas à Rag. A Rag dedica-se a vender o quilo de silêncio sobre a substituição linguística em convénios com Feijoo.
Quando demandais algo do Ilga-Rag (um já está integrado na outra e esta, presidida por Barreiro: Negotiator) estai-lo legitimando com a petição e entregando mais legitimidade e influência [e dignidade] para que a vendam junto com a nossa língua.
A Rag só mudará quando se sinta (ainda) mais deslegitimada, na procura de apoio e influencia (para vender).
Que a vaiam ranhar.
#16 Que contra-programem eles se querem.
Nós simplesmente devemos programar.
O das "firmas mil" cheira-me como a "enquisa" da "Conserjería de educación"...
Bom, entre o "LH" e o "Y" ganhou este último ;-) .
Ainda bem! Perfeito!
Agora, trabalhemos pelo Centenário do Nascimento de Ricardo Carvalho Calero em 2010. Fizeram-na boa estes da RAG... :-)
POBRE UXÍO! Não merece servir de trincheira ou de máscara à cobardia ou cinismo dos assentados na "cousa régia" essa que denominam RAG...
Eis a escusa, proferida por eles mesmos, os entrincheirados e publicada num jornal:
«Celebrar un poeta, mellor que debater filoloxía (Fecha de publicación: 28/6/2009)
»Un voto en branco evitou a unanimidade total por parte da Real Academia Galega para escoller a Uxío Novoneyra sobre Ricardo Carvalho Calero. O presidente de RAG sinalou que a intención do plenario "estaba clara" e que non se trataba de «ocultar os méritos de Carvalho Calero, pero tamén é verdade que "non se podería afrontar o nomeamento de Calero sen reabrir a cuestión filolóxica e os tempos non están para volver sobre ese debate».
»Segundo Xosé Ramón Barreiro, é posible que "no futuro haxa un momento no que falar de Carvalho Calero e entrar no debate, pero creo que estamos todos de acordo en que o ano próximo non parece que as condicións sexas as mellores para iso". O presidente da RAG apuntou que Novoneyra é unha "designación indiscutible" e que ten un perfil máis para os lectores comúns, para os centros ou para as actividades do que podía ter Ramón Piñeiro ou do que podería posuír o outro candidato para este ano.»
(NOTA.- O plenário seria tão "plenário" como foi aquele em que aprovaram o "ditame" sobre "Galicia, nome leXítimo e oFicial" da Galiza? Porque daquela o "plenário" parece que fora de apenas dous...)
Em (#22) interpela Prado:
1.- «Eu vexo unha certa contradición: tédeslle odio a algo propio, a unha institución creada e modelada ao longo do tempo polos galegos, e agora reclamades que a RAG faga o que vós queredes.»
...
COM.- Não vejo a "contradición": Se fosse certo o que diz, estaríamos no direito e no dever de reclamar o que alguns exigiram da RAG.
Mas acha o/a senhor/a que a RAG de hoje é digna de aquela que presidiu Murguia? Tenha em conta que ainda leva a marca do franquismo, de que nem os académicos presumíveis nacionalistas e independentistas galegos procuram libertar-se.
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2.- «Por que non vos dirixides á Academia da Lingua Portuguesa para que lle dediquen o século das letras portuguesas ao tal Carballo Calero?»
...
COM.- Meu/Minha senhor/a, tenha por certo que não só a Academia GALEGA da Língua PORTUGUESA comemorará, homenageará o centenário do nascimento do Prof. CARVALHO CALERO.
Mas é que, se não o sabia, o Prof. CARVALHO CALERO foi membro da RAG e autor das primeiras NOMIGa académicas (1970-1971). E académico da RAG morreu. Algo tem a ver com essa "cousa régia" que é a RAG.
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3.- «Ben certo é que había resultar lamentable outro día das letras tan triste coma este que acabamos de superar. "O galego que non fala na lingua da súa terra, nin sabe o que ten de seu, nin é merecente dela".»
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COM.- E não entendeu ainda que o par ILGa-RAGa é justamente o braço académico da política exterminadora do Galego levada adiante pelo reino bourbónico? Não entendeu ainda que o Feijó e os seus amigos não renunciaram a "normalizacionar" o "galego" "normativo" do par ILGa-RAGa?
Acha que esse dia triste, que diz, foi superado? Não será que é o inicio de mais tristezas, como esta de o par ILGa-RAFa se mascarar trás a poesia (dialetal) do Novoneyra?
Pobre Uxío! Serão esses do par ILGa-RAGa os que realizem aquela questão-desejo do poeta?
«GALICIA será a miña xeneración quem te salve?
»Irei un día do Courel a Compostela por terras liberadas?
»Non aforza do noso amor non pode ser inutle!»
(Poema de 1957, publicado em Buenos Aires em 1958 na revista 'Eufonia'.)
Prado #22, surpreende-me que não conheças suficientemente Carvalho como para chamá-lo "o tal Carballo Calero". Se não o reclamas da tua própria cultura (como também se deve reclamar Novoneyra), tens um problema. Será que funciona o que tão claramente disse Carvalho: "O galego, ou é galego-castelhano, ou é galego-português". Até os imbecis e escuros percebem o sentido disto.
A notícia que coloca António Gil é transparente: A RAG não quer que se "reabra o debate filológico", o qual indica que não pensam está de tudo fechado, como uma purulenta ferida a desinfetar. Evidentemente. A questão, então, é que esperam que no futuro esteja suficientemente fechado como para podermos, coletiva e publicamente, debater sobre Carvalho e a sua sentença ("O galego, ou é galego-castelhano..."). Mas, como conseguirão que a ferida feche definitivamente enquanto se perde a língua? Estão num beco sem saída, e sabem-no. Reparemos: A DECISÃO DA RAG NÃO FOI NOMEAR NOVONEYRA, MAS NÃO NOMEAR CARVALHO. A decisão está ALTAMENTE condicionada, portanto, pola reclamação social em favor de Carvalho.
A RAG sabe do impacto da sua decisão sobre a pessoa das Letras nas escolas, que é o que interessa socialmente (o debate inteletual sobre Carvalho sempre se pode fazer). Por que a RAG quer escamotear este debate agora, sobretudo nas escolas, onde mais que nunca está ameaçado o galego? Não seria, precisamente, o melhor momento? Ou, mesmo, por que não aproveitar o centenário para distorcer o sentido da sua obra nas escolas? Não fiam em que o professorado de Galego fosse suficientemente fiel à RAG, e portanto temem que pudessem apresentar o Carvalho reintegracionista? É que o poder linguístico não controla suficientemente as outras áreas educativas (ensino primário, infantil) onde professorado reintegracionista talvez destacasse a ideia-guia de Carvalho ("O galego, ou é galego-castelhano..."). Não, não podem, e não sei como confiam em que no futuro poderão.
E há mais fatores, evidentemente: Quanto da obra de Carvalho, frente à de Novoneyra, poderiam reeditar os "cártel" ;-) editoriais que controlam a RAG (Galaxia-Grial e Xerais-A Trabe), em concorrência constante? Que editora(s) têm os direitos de autor sobre essa obra? (Carvalho publicou em Sotelo Blanco, em Ed. do Castro, em Sá da Costa, em AS-PG...). Têm aí uma batalha comercial tingida de ideológica.
A aovelhaquemira #17: Não todo o mundo "pede" nada à RAG. Há concelhos e associações que o fazem, como Artábria, do Ferrol, pois consideram que é de justiça para a cidade, e outras razões. Eu, pessoalmente, simplesmente sei que a RAG decide essa nomeação da pessoa do Dia das Letras, QUE NÃO É OFICIAL (o oficial é que existe o Dia das Letras como feriado, mas não que exista uma pessoa homenageada, isso é questão da RAG), mas que tem um inegável impacto no sistema educativo e no mercado editorial. No primeiro âmbito, NÃO É OBRIGATÓRIO em absoluto que o currículo desse ano inclua conteúdos sobre a pessoa homenageada: é iniciativa dos centros, professorado, equipas de "normalización", etc. Então, na medida em que o Dia das Letras gera informações, debate e propaganda sobre a língua e a literatura nas escolas e liceus, PODE ser um rico recurso perante uma situação crítica da língua.
E, evidentemente, o Dia das Letras é um recurso político de grande magnitude. Os concelhos, concelharias de Cultura, etc., concorrem também pola sua apropriação simbólica. Mas, repare-se, nem sempre os "bons" são melhores do que os "maus" e os "maus" piores do que os "bons" no tratamento sério da pessoa homenageada no Dia das Letras.
No plano político prefiro a un marxista como Novoneyra ca outro piñeirista como Carballo Calero.
Nom se trata de nengumha guerra.Trata-se de fazer justiça com a figura dumha pessoa comprometidda mas acusada de heregia por ter essa outra visom da língua e ocultada por isso.Trata-se de honrar a memória dum homem galeguista convencido mas excluído por usar o "nh".Negar-lhe reconhecimentos nesta altura, e mais no ano do que falamos é cospir na sua memória.É um insulto.
Um país que aspira a ser soberano tem que ter instituiçons que funcionem como tais. A RAG poderia ter demonstrado este ano que era uma instituiçom independente e aberta às distintas sensibilidades, mas ficou claro o seu carácter claramente político e parcial.
Estamos ante um novo instrumento dos que nos levam negando 525 anos, ante uma autêntica sucursal da Real Academia Española.
Chegados a este ponto, eu pergunto (yo protesto):
Nom seria momento de que a AGLP, funcionando como uma academia propriamente galega e de carácter nom só nacional, mas internacional, se decidisse a emitir o seu próprio homenageado do Dias das Letras começando, de forma simbólica, por Carvalho Calero?
E de ai em diante dar a conhecer ao mundo lusófono o contributo galego à língua (comum) portuguesa.
O Soberanista é quen está a falar ben. Que os portugueses se ocupen de quen seica é patrimonio deles. E deixade na paz e na gloria a Uxío Novoneyra.
Falemos galego! Galego na escola!
bertus, #28. O Dia das Letras,por desgraça, nunca fez finca-pê no pensamento político da pessoa homenageada, A NÃO SER que este pensamento convenha DUM PONTO DE VISTA EMPRESARIAL (e, portanto, ideológico, quer dizer, como reforçador da ideologia que alimenta estes negócios: isolacionismo, autonomismo) aos poderes encarregados de eleger a dita pessoa -explicitados por Celso em #26- (veja-se, por exemplo, o penoso Dia das Letras dedicado a PiÑeiro, onde falaram até fartar do "piÑeirismo" e compare-se com os Dias das Letras em que as pessoas homenageadas se chamavam Murguia ou Antón Avilés -que são os que eu recordo, gostaria de ver qual foi o tratamento dos homenageados quando lho deram a Castelao, Curros ou Rosalia...-.
Eu preferiria centrar o debate na atenção à verdadeira carrega simbólica que leva consigo a eleição duma ou outra pessoa como homenageada no Dia das Letras, e que é a que tem a ver com o muito vivo debate normativo e não com o debate liberalismo/socialismo, desde logo (ainda, quiçá, poderia ter a ver com o debate autonomismo/independentismo, dum jeito muito menos patente que com o debate normativo, mas tampouco semelha ser este o caso no Dia das Letras 2010 -esta-o a ser no 2009, claro-). Assim que, por favor, sejamos honestos.
Assina um marxista.
A RAG podia ter optado por dar continuidade às suas próprias normas de 1980, elaboradas por uma comissão presidida por Carvalho Calero, que mantinha as portas abertas às duas filosofias linguísticas, admitindo o uso das duas ortografias, a galega tradicional e a castelhana. Aquela opção de duplas grafias, que dava continuidade à filosofia da unidade da língua, era uma das possibilidades.
Porém, decidiram mudar radicalmente o rumo apostando na linha castelhanista e, com o apoio do Partido Popular, no poder, começaram a perseguição do reintegracionismo, o que incluía a purga nos jornais, no ensino e também dentro da própria RAG. Isto implicou a ocultação da obra dos académicos Carvalho Calero e Marinhas del Valle. Tudo lhes valeu na sua guerra declarada contra a lusitanitatis delictio.
Três décadas mais tarde o seu fracasso é evidente. O resultado está à vista de todos. Com uma grande perda de utentes, muitos reconhecem o erro dessa política e desse modelo de galego subsidiário do castelhano. Uma grande parte do movimento normalizador reconhece o reintegracionismo como única fórmula de futuro para a língua. Mas a RAG, entidades isolacionistas e grandes editoras, favorecidas pelo poder, estão apanhadas num círculo vicioso de dependência institucional.
Todos podem ver como, em diversas entrevistas, o presidente da RAG reconhece a dificuldade que têm para (di)gerir a figura e obra de Carvalho Calero. Não este ano, mas qualquer ano. Se, para uma instituição, alguns dos mais notáveis escritores galegos são inassumíveis, isto não define ou qualifica esses escritores. Quem ficam definidos são os académicos da RAG. Carvalho Calero, Guerra da Cal ou Marinhas del Valle não estão afetados em absoluto por esse sectarismo.
Em junho de 2009 não podiam dar um sinal maior de debilidade, de falta de fé na sua academia, que evitar o "problema" e dedicar 2010 a Uxio Novoneyra. Os lusófonos galegos voltaremos a ler com fruição as obras do poeta do Courel, compraremos as novas edições e acompanharemos os atos, mas iremos honrar, com igual ou maior intensidade, a pessoa e obra de Carvalho Calero.
E já, postos a pedir, gostaria também que não se tergiversa-se o dito neste fio com razoamentos do tipo:
"Estes que escriben en portugués non respectan a Novoneyra",
ou
"estes que escriben portugués teñen idolatrado a un mediocre como Carballo Calero porque pensaba coma eles, ou parecido a eles",
ou
"a estes que escriben portugués só lles interesa que lle dean o Día das Letras a Carballo Calero para utilizalo, manipulando en parte o que dixo, na súa teima por aportuguesar o galego".
Ahh... Se os galeguistas aprendesse-mos algo do espaÑolismo! Olhai com quê facilidade logra dividir-nos.
Em (#33) Prado pontifica: «O Soberanista é quen está a falar ben. Que os portugueses se ocupen de quen seica é patrimonio deles. E deixade na paz e na gloria a Uxío Novoneyra. Falemos galego! Galego na escola!»
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COM.- Carvalho Calero, português? Meu Deus, pouco conhece o/a senhor/a a obra do Porf. Carvalho Calero.
Falemos galego? Só falar? Na escola? Harmoniosamente? Amavelmente? Deliciosamente?
Pela minha parte, eu deixo em paz o Uxío: Os que não o deixaram em paz, mas o tomaram como aríete contra Carvalho, são os do par ILGa-RAGa. Dê-lhes esse "bom" conselho a eles.
Em (#36) ANGR acaba o seu comentário assim: «Ahh... Se os galeguistas aprendesse-mos algo do espaÑolismo! Olhai com quê facilidade logra dividir-nos.»
:::
COM.- Está o/a senhor/a certo/a de que todos os que se dizem galeguistas (e, por extensão, os que escrevem galego) se acham nos âmbitos do Galeguismo? Não serão "espaÑoles" simples, quer dizer, nacionalistas espaÑoles mais ou menos camuflados, mais ou menos inconscientes)?
Não percebe o/a senhor/a que são esses os que nos dividem, os que nos excluem, os que mesmo nos insultam, ao fazerem-se solidários com o que as instituições do reino acordam para o galego (ou contra ele)?
A RAG e o ILG são instituições espaÑolas que deram o instrumento "normalizacionador", as NOMIGa, à instituição, espaÑola também, chamada "Xunta". Esta vem utilizando esse instrumento nas escolas. E nas escolas aprendem "bem" os rapazes a opor "galego" contra o português, os que utilizam esse "galego" (Novoneyra não o utiliza!) contra os que escrevemos Galego procuradamente bem.
E assim, esses "bem apredidos" nos mandam para Portugal, quando conhecem bem que somos tão espanhóis como eles espaÑoles e que, apesar de tudo, temos os mesmos direitos do que eles.
Serám os mesmos que falam dum nacionalismo "dividido em luchas fraticidas" entre isolacionistas e reintegracionistas os mesmos que as estám a criar?
Será que o espanholismo promove essa "gran batalla intergalaica" utilizando o já usual "divide e vencerás"?
Está claro que sim.
Em (#28) bertus mente sem vergonha ao dizer: «No plano político prefiro a un marxista como Novoneyra ca outro piñeirista como Carballo Calero.»
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COM.- Pode que Novoneyra fosse "marxista"; não o tenho claro. Ferrín, que costuma aprontar dados deste tipo, não os recolhe.
Porém, na breve biografia do poeta assinala:
«Abandona os estudos e cumpre o servicio miliat na Coruña e Santiago. Ó [sic] par do seu compañeiro de armas MANUEL MARÍA, traba coñecimento e amistade [sic] co pintos MASIDE e máis co político e ensaísta RAMÓN PIÑEIRO. En 1953, durante un permiso, comeza a escreber [sic] en galego.»
De Carvalho Calero, na mesma obra, Ferrín conta:
«Formou parte, nos seus anos escolares, do núcleo universitario máis vangardista nos derradeiros tempos da Ditadura e na República, participando na xestión das suas empresas colectivas: "Resol", "Universitarios", FUEG... Pertenceu activamente ao [sic] Partido Galeguista e foi colaborador de todas as publicacións de expresión galega. Foi oficial do exército republicano durante a guerra civil, e sofriu prisión ó [sic] término desta.»
Mais? Não comparemos: Cada um tem os seus méritos, mas, entre fazer a "mili" na paz de Franco e fazer a guerra contra Franco há diferenças, por exemplo. Aliás, Carvalho padeceu prissão sob o primeiro franquismo/fascismo, mas depois de lhe ter sido comutada a pena de morte.
Não, caro/a, o par ILGa/RAGa não optou por Novoneyra por este ser "marxista", mas porque dedicar as Letras Galegas a Carvalho Calero acarretava questionar o franquismo e o pós-franquismo monárquico ou bourbónico, ao tempo que a República estaria presente de um jeito ou de outro.
Falar, fala-se barato; dizer com siso é mais difícil.
AGIL, #38. Pois homem, de tudo haverá, suponho. Eu interpelava aos galeguistas que escrevem em norma RAG ou que, directamente, passam da norma. Sei que os há, eu fui um deles.
Gosto de pensar que a diferença entre os galeguistas "reintegracionistas" e os galeguistas "isolacionistas" é, fundamentalmente, de estratégia.
Saúde
ANGR, tens razão, mas vale a pena distinguir (cousa que nestes foros não é fácil nem frequente, porque são o que são e não tratados académicos).
Quando eu oponho ILGa-RAGa a reintegracionistas, oponho aquele estamento institucional (espanhol) aos que não somos instituição ou estamos agrupados em associações privadas.
A dissimetria é clara.
Outra cousa é compararmos pessoas e pessoas: Aí acharemos variedade de opiniões e práticas. Mas, em regra, nestas corredoiras não me meto nem quero meter-me: Cada um é cada um, e terá de responder das suas práticas e do seu pensamento. Mas não (penso) publicamente, nestes foros.
Porém, os membros do par ILGa-RAGa são todos "ilustrados", não podem alegar ignorância ou desconhecimento dos assuntos que tratarem; deveriam mesmo fazer-se alguma crítica ("autocrítica") e considerar que são citados na "ley de normalización linguística", mas que são usados e abusados pelas diversas "Xuntas" para além do que o texto legal ("Disposición adicional") estabelece, porque de "criterio de corrección" pasaram a ser filtro de uso do Galego, até ao ponto de que, sob pretexto de "incorrección", a "Xunta", os diferentes governos, também o bipartido, e outros organismos violaram direitos fundamentais do cidadão, entre outros, o da tutela judicial efetiva.
Há mais.
Bom, os membros e as membras (???) do par RAGa-ILGa (agora quase com os mesmos componentes salientáveis) devem conhecer isso, como também devem conhecer a situação do Galego. A tal fim fizeram os Mapas Sociolinguísticos. Conhecem, veem que a Comunidade Galegófona está esfarelando-se, definhando-se... desaparecendo e que fazem? Nada de nada: Apenas publicar alguma revista... com que transcendência? Reunir-se, mas para que? Emitir ditames (um cada dez anos) em que defendem que Galicia é denominação galega à par de Galiza... E nomear o escritor para o dia das letras de cada ano: Mas que tipo de escritor é o preferido?
Não, caro, não: Eu procuro não criticar os indivíduos (sim o que as pessoas escrevem), mas as instituições, com os seus titulares, e o seu des-labor em prol do Galego.
é o esperado
a RAG nao pode homenagear Ricardo Carvalho, e mesmo seria contraditório que Carvalho Calero fosse homenageado pela RAG
a nossa língua já é festejada o dia de Camoes. nao temos nada que celebrar o dia 17 de Maio.
a nossa língua é internacional
ANGR, non é certo o que dis, o día das letras galegas si que fixo fincapé no pensamento político de Piñeiro. Por que conviña empresarialmente? Non sei até que punto. O certo é que algúns traballos serviron pra desfacer algúns mitos sobre a figura de Ramón Piñeiro, como o de Garrido Couceiro, quen investigou e puxo á lus as contraposicións entre Piñeiro e Castelao, o anticomunismo ou a belixerancia de Piñeiro co nacionalismo.
AGIL, do Partido Galeguista e antifranquista tamén foi Ramón Piñeiro e así mesmo tamén pasou en prisión algún tempo polo seu activismo antifranquista. Porén, de marxista non tiña nada senón que practicou o anticomunismo. Respecto a Novoneyra, o propio Manuel María, quen militou na UPG, recoñece (nun libro que leva a autoría de Ignacio Castro e no que participan varias persoas como Manuel María titulado, coido lembrar, "Neste silencio", que recolle unha especie de coloquio arredor de Novoneyra) a condición de marxista do poeta do Courel. Así mesmo hai poemas como "Vietnan Canto" que parece posicionarse claramente nesa dirección. Existe algunha análise da súa poesía na que se contrapón a concepción ontolóxica da mesma á heideggeriana para marcar diferencias políticas. Mais sinceramente, gostaríame saber máis dos dous, tanto de Carvalho Calero coma de Novoneyra. Eu segundo ouvín, Carvalho Calero sempre estivo no círculo de Ramón Piñeiro, agás ofinal da súa vida polo tema da normativa, pero gustaríame saber máis sobre o seu traballo no Partido Galeguista e as súas ideas políticas e se se distancia de Piñeiro noutros intres importantes.
Penso que polo feito de que lle dediquen este ano a Novoneyra vai facer que saibamos algo máis da súa figura. Por exemplo acederemos a libros del que hoxe son difíciles de conseguir e que están esgotados. Tamén penso que a Academia lle debe dedicar un día a Carballo Calero que sirva pra afondar na súa figura en todas as súas dimensiós. Deixalo nas maos dos reintegracionistas axuda a engrandecer o mito e distorsionar a realidade. Pois, sen eu quitarlle mérito ningún ao seu labor antifranquista, teño que dicir que hai quen pensa que foi unha especie de Che Guevara.
A ROSALIANO em #35:
VALEU!!!!!
#42
Prado, caro, Uxio nom molesta a ninguém, é admirado por todos.
Por contra, insinuas que Carvcalho sim molestava?
bertus, tens uma vida e obra de Carvalho Calero, escrita por Martinho Montero Santalha e publicada em Laiovento.
Contudo, muito mais interessante para nós é conhecer o que os autores pensavam: Tens as obras de Carvalho publicadas por O Castro, por Sotelo Blanco, por AGAL e mesmo pela Fundación Barrié. Bastantes delas podem conseguir-se hoje sem problema. Todas então (imagino) nas bibliotecas públicas.
Não comparemos: Carvalho foi sempre fiel ao ideário do Partido Galeguista; Piñeiro acabou com ele (com o PG).
Bem por Uxio. Galego incorruptível, alma de buxo, nacionalista. Todos o lembramos ano tras ano na Quintana, mesturado entre a gente, sobranceira figura no cimo da praça. Uxio Novoneya, um luxo para este País.
O ano que vem, Carvalho Calero.
AGIL, #43: Acho que concordamos no essencial.
Saúde!
bertus, #45, dizes:
"ANGR, non é certo o que dis, o día das letras galegas si que fixo fincapé no pensamento político de Piñeiro."
Mas isso foi o que eu disse, não?
#34: "O Dia das Letras,por desgraça, nunca fez finca-pê no pensamento político da pessoa homenageada, A NÃO SER que este pensamento convenha DUM PONTO DE VISTA EMPRESARIAL (...) aos poderes encarregados de eleger a dita pessoa."
Porén, a beligerância com o comunismo e com o nacionalismo de PiÑeiro eram cousa bem sabida por toda pessoa minimamente interessada na história do galeguismo. E é precisamente por isso que a escolha da RAG foi a que foi. Que mérito sobranceiro fez o PiÑeiro para as Letras da Galiza, senão? A filosofia da saudade? Venha oh, por favor... Foi um nomeamento POLÍTICO dirigido a que as órbitas do debate galeguista actual giraram arredor de ideias como "galeguismo bem entendido -nada de independências-" ou "nada de radicalismos" ou "o galego e o português são línguas diferentes".
A RAG rompeu unilateralmente com a sua honrosa tradição histórica. ESTÁ DESLEGITIMADA.
Ah, mas é necessário ser marxista para que se dedique a alguém o Dia das Letras? Carvalho Calero foi um dos impulsores do estatuto de autonomia da Galiza de 1936 (acho que é um mérito nada desdenhável), motivo polo qual após a guerra (na qual luitou contra os fascistas) foi condenado por SEPARATISTA.
«Em 1939, terminada a guerra é julgado e condenado (tendo primeiramente umha condenaçom polo fiscal à cadeia perpétua, por ser oficial do exército republicano e separatista, membro do Partido Galeguista), a 12 anos e um dia de prisom maior, ficando no cárcere até o ano 41, em que regressa a Ferrol em liberdade controlada, dedicando-se ao ensino privado, pois o privam de poder colegiar-se». (Biografia de Ricardo Carvalho Calero: http://www.agal-gz.org/modules....
¡Que fastío todo este recurrente debate! ¿Non vos cansa? ¿Non hai outras maneiras de traballar polo que credes que debería ser? Vós seguide neste cainismo, que hai por aí fóra destes guetos outros escachándose coa risa.
SAÚDE
#54 E todo o anterior, insisto, sem minusvalorar a egrégia figura de Uxío Novoneyra.
Carvalho Calero foi:
- redactor do primeiro estatuto de autonomia da Galiza
- primeiro catedrático de Língua e Literatura Galegas
- autor de QUINZE obras de ensaio entre 1963 e 1989, mais duas póstumas (1990 e 1992)
- autor de ONZE
#56 A minha mensagem ficou cortada acidentalmente, acabo:
Carvalho Calero foi:
- redactor do primeiro estatuto de autonomia da Galiza
- primeiro catedrático de Língua e Literatura Galegas
- autor de QUINZE obras de ensaio entre 1963 e 1989, mais duas póstumas (1990 e 1992)
- autor de DEZ poemários em galego entre 1931 e 1990 (mais um em castelhano em 1928)
- autor de duas peças teatrais (1971 e 1982)
- autor de dous romances (um deles, premiado), em 1950 e 1987
Todo isto, além do seu inequívoco compromisso com a Galiza, pola qual mesmo luitou na guerra e padeceu cárcere. Enfim, se todos os 'piñeiristas' (sic) fossem iguais, outro país diferente teríamos.
#45 Carvalho Calero não está em 'mãos' do reintegracionismo: foi a RAG quem o condenou ao ostracismo. Se alguém se lembra hoje do insigne ferrolano é precisamente graças ao reintegracionismo, que leva anos a trabalhar porque não se perda o seu legado.
Se chegasse a viver mais alguns anos, quem sabe, talvez o próprio Manuel Maria pudesse ser silenciado também pola RAG por cometer o 'pecado' de editar em norma AGAL (com prefácio de António Gil) o poemário 'A luz ressuscitada' (http://www.agal-gz.org/modules....
Viagem pola obra reintegracionista de Manuel Maria: http://www.agal-gz.org/modules...
#22 Se a RAG fosse digna, Carvalho Calero há muito que teria sido homenageado. Méritos não lhe faltam. Esse "tal" Carvalho Calero também foi académico da RAG, e mesmo renunciou a ser o seu presidente quando lhe foi proposto.
E se 'nós' não o pedimos, quem o pedirá? Méritos não lhe faltam, mas é uma autêntica vergonha. Vergonha tão grande que mesmo há quem se escandaliza disso no Brasil:http://pglingua.org/index...
Para que depois digam que os reintegracionistas somos sectários :D
Eí vein os cordeiros fiar os cordallos!
Acabáronse os traballos,
Viñeron as neves. veo a chuvia i o vento
pra quen non pode estar drento.
Eu no meu
cada un no seu
teña pan teña leña
teña erba pros bois
e despois
veña o que veña:
É o prego
do labrego.
Cebalos cochos matalos
salalos i afumalos.
Ir derretendo na grasa...
Ir achegando na brasa...
Sempre hai que facer na casa.
¿Coñece alguén unha descrición máis intensa dos traballos, no inverno, dos labregos do interior?
A avoa de Uxío era do Bierzo. E leu a Fernández y Morales.
ANGR, imos ver, eu o que digo é que a conmemoración do día das Letras en torno a Ramón Piñeiro propiciou que apareceran certos traballos de investigación sobre a dimensión política desta persoa que serviron pra botar abaixo certos mitos, tópicos e lugares comúns sostidos polos propios piñeiristas sobre o labor político de Piñeiro.
Emporiso digo que un día das Letras dedicado á figura de Carvalho Calero podería ser útil tamén para desfacer algún mito sobre a súa persoa; talvez podería facer ver, con estudos da súa obra e da súa vida, que foi unha persoa que no ideolóxico estivo bastante perto de Ramón Piñeiro.
mceleiro, Manuel María morreu sendo académico da RAG.
Por outra banda, eu non digo que sexa necesario ser marxista pra que che dediquen o día das Letras. Non terxiversemos. Eu só amosei unha preferencia miña; dixen: no político prefiro a un marxista ca outro piñeirista. Tamén como poeta prefiro a Novoneyra, anque de Carballo Calero (así están firmados a maior parte dos seus libros) teño un coñecemento máis parcial -a penas unha lectura rápida de “Anxo da terra”.
Ora ben, iso non quere dicir que non fose un bo escritor e que non mereza un día das Letras. Ao contrario, ademais de ser un escritor da altura merecente pra iso, pronuncieime en sentido inverso polas razóns xa comentadas.
AGIL, paréceme unha boa noticia que a obra de Carvalho Calero estea facilmente dispoñible. Non ocorre o mesmo coa de Novoneyra que eu andei buscando e non atopei, polo que semella máis urxente que lle dediquen a el o día das Letras.
Habería que preguntar a quen corresponde neste foro se cren que a Academia está deslexitimada. Nese caso deberían celebrar a figura de Carvalho eses que cren que o está e non seguir dando ordes sobre as súas soberanas decisións.
#62 A qual Academia te estas a referir, Vituco?
Alegro-me por Uxio mas para quando dom Ricardo?
¿Non poderiamos falar de Novoneyra? Dáme que é tan poeta que non merece estes cainismos. E, xa de paso, ¿non poderiades ir ao Caurel e gozar do que por eilí hai?
Hein d'ir ó Pía Páxaro i a Boca do Faro
deitarme na Campa da Lucenza nun claro.
Hein d'ir á Devesa da Rogueira i a Donís
ó Rebolo á Pinza i ó Chao dos Carrís.
...
Hein d'ir a Céramo cruzal'o Faro i entón
debrocar pra baixo cara Oéncia e León.
Facede como Miguel Torga, que era amigo de Uxío. ¡Estes si que sabían!
Em (#55) exclama onofresabate: «¡Que fastío todo este recurrente debate! ¿Non vos cansa? ¿Non hai outras maneiras de traballar polo que credes que debería ser? Vós seguide neste cainismo, que hai por aí fóra destes guetos outros escachándose coa risa. SAÚDE.»
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COM.- Pergunto, se podes responder:
1.- Qual é o "recurrente debate"? [Desculpa que diga, de passagem, que, se eu seguisse as NOMIGa escreveria "recorrente".]
2.- Pensas que não trabalhamos (esses aos que te diriges e não nomeias) pelo que a Galiza deve ser? [Desculpa que che diga que, daquela, não conheces quase nada de nós. Tens informação de avondo na rede e mesmo em livrarias e inclusivamente nas bibliotecas, dentre elas, nas universitárias...]
3.- "Cainismo"? Conheces o significado de "cainismo"? Segundo o DRAE, «cainismo. 1. m. Actitud de odio o fuerte animadversión contra allegados o afines.» Demos por boa essa definição... Pensas com total segurança que os membros do par RAG-ILG são "allegados" ou "afines" nossos? Também teus? Achas que lhes temos "odio" ou "fuerte animadversión"?
4.- Estás certo de que "outros", "fora destes guetos", estão a escachar com o riso? Não será que temem que os Galegos despertem e por isso se servem de todos os meios, incluído o par ILG-RAG, para evitar que a Galiza desperte do seu sono?
eu penso que a RAG conscientes de que son un fato de vividores españolistas vendidos os cartos da dereita antigalega, presididos por un cacho de carne (como dixo alguén aquí), nun momento de lucidez e para non ofender os catro lusistas decidiron non homenaxear a Carvalho Calero, sería coma si o partido nazi fixéralle unha homenaxe a Marx. Pero nin con esas vos contentades. (e pensar que en Portugal son pobres pero felices, a ver si vamos collendo puntos).
tranqui. Isto não vai de "teorias da conspiração", vai da incapacidade de assumir valores democráticos da RAG, que pratica a exclusão ao "reintegracionismo" desde há mais de vinte anos.
Não há ética na RAG, nem no como fazer as cousas (exclui), nem no cumprimento dos seus objectivos (não só inexistente, mas OBVIADO). Já não semelha que pensem no que alguma vez pensaram. Atraiçoam a sua própria tradição e ao movimento galeguista de ontem e hoje.
Quantos nos há que morreu Novoneyra? Sabe alguém?
Pego no livro, publicado pela Sotelo Blanco em 1988, intitulado Do Caurel a Compostela. 1956-1986, e releio, como se lesse na esperança do poeta, o poema que já acima pus:
GALICIA será a miña xeneración quen te salve?
Irei un día do Courel a Compostela por terras libradas?
Non a forza do noso amor non pode ser inutle!
(1957)
Que entenderia o poeta por "terras libradas"? Temo que algum comentarista "politicamente correto" tente convencer-nos de que onde diz "libradas" deve dizer "labradas"...
Contudo, acho que "libradas" algo tem a ver com "librar" ou libertar... Ou não?
Mas libertar, "librar", de que e de quem e por que meios? Só pela "forza o amor" que de nenhum jeito ficará "inutle" (= inútil)?
Gostaria de conhecer a opinião e o sentimento do Novoneyra nestas circunstâncias... Será capaz alguém de nos dar as suas palavras ao caso...?
Continuo a ler e agora, surpreso, apenas tenho perguntas para os "filóloXos":
Como propõem como modelo um escritor tão seu (dele, não deles) que mesmo escreve tein (= mais próximo de têm do que de teñen), inseguranza (= insegurança, mas não inseguridade), nosa patria (e não a nosa patria), xóvenes (e não xoves), mui (e não moi), calquer (= quase qualquer e não calquera), maos (= mãos e não mans), pór (= pôr e não poñer), vrao (quase verão e não verán), vein (próximo de vêm mais do que veñen), etc.?
Poderia avançar pelo lado inverso... Como propõem como modelo um escritor que usa tanto castelhanismo / castelanismo?
Bertus, #61
Este é o primeiro comentário que faço neste fio. Rebates um comentário que não é meu. Acho que te referes a galeguzo.
O homenageado é um grandíssimo poeta. No entanto, foi ainda uma excelente pessoa que sempre teve um absoluto compromisso com o povo e a terra. Foi dos que no seu passo pola vida, deixou semente.
Que ninguém faça demagogia, que ninguém se está a opor a esta merecida homenagem.
Mas a questão são as motivações da RAG. Não o fazem por verdadeiro reconhecimento, senão para "ocultar" a outro merecedor.
Uxio Novoneyra é um autor dos "grandes" que a RAG sacou da manga para calar as petições pró Carvalho Calero. Simplesmente. A decisão está cheia de falsidade, quanto ao Uxio e quanto ao Ricardo. É uma falta de respeito a ambos.
Novamente acima destes dous grandes homens, andam os da RAG com as suas sujas mãos...
Há um aspeto interessante nesta toda discussão: O do questionamento a que o par ILGa-RAGa obriga os reflexivos sobre o que é ou pode ser:
1.- Escritor galego: Sim, quem escreve em galego. Mas, se Novoneyra é escritor galego, está a questionar um dogma que a "Xunta" aplica para negar subsídios aos que não escrevem em "galego normativo", porque Novoneyra nunca escreveu segundo as NOMIGa.
2.- Devemos entender, portanto, que o par ILGa-RAGa propõem o Uxío Novoneyra como antídoto à teima "normativista" que esse par entregou à "Xunta", para esta discriminar "por razón de ortografía"?
3.- Ainda mais, o par ILGa-RAGa está a desautorizar toda a caterva de "normativizadores", aprendizes quase todos, que corrigem impiamente textos mais ou menos não-"nomigosos"?
4.- Em consequência, devemos entender que as NOMIGa estão mais do que ultrapassadas e portanto também nesse ponto deve ser reformada a Ley de NOmralización linguística? É uma concessão mais ao Feijó e aos seus amigos?