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O Abuso Invisível

12:37 21/11/2008

Os seres humanos, animais sociais, mostramos nosso crescimento principalmente em duas dimensões; uma física, e outra que podemos denominar mental ou psicológica. A física é evidente porque é visível; porem a psicológica é mais difícil de perceber e portanto os abusos nesta área são também mais difíceis de perceber e mesurar.

Um tipo de abuso que todos e todas na nossa sociedade repudiamos, e mesmo denunciamos e castigamos socialmente, é o abuso sexual na infância. Inclusive quando observamos práticas sexuais de adultos com crianças em culturas onde isto está socialmente admitido como uma prática normal, a nós nos causa a mesma repugnância e enjoo.

Quando se trata de abuso sexual todos e todas nós somos capazes de o ver com toda claridade; porque compreendemos que nessas circunstâncias não se está a ter em conta a sexualidade da criança, que só está ao serviço das necessidades sexuais do adulto. Bom, pois apesar dessa nossa habilidade para detectar este tipo de abuso físico, seguimos a ser incapazes de detectar a grande maioria de situações de abuso psicológico.

Um território no que eu diria se cometem mais este tipo de abusos mentais é o religioso. Onde as crianças são sometidas a práticas e rituais que, embora possam ser entendidos pola mente do adulto, apesar da falta de racionalidade das mesmas, são totalmente inadequadas para a mente infantil. Estas práticas estão exclusivamente ao serviço das necessidades do adulto e portanto quando se somete a elas às crianças devemos considerá-las abuso.

E um pode chegar a aceitar que cada pai e cada mãe na sua casa, e na sua paroquia, possam ter a liberdade de someter a seus filhos e filhas a essas práticas para satisfação espiritual deles, adultos; ora bem, o que não é aceitável baixo nenhum conceito é que essas práticas se levem a cabo polas instituições governamentais; o endoutrinamento das crianças na escola, não só é um atentado contra as liberdades dos pequenos, é abuso psicológico, e o mais trágico é que é facilitado polas leis do Estado Espanhol, precisamente o órgão que o devia evitar; e o que é ainda mais grave, esse lavado de cérebro dos miúdos e miúdas na actualidade se permite polos motivos equivocados: o custe político para o partido no governo.

Richard Dawkins no seu livro “The God Delusion”, recolhe entre outras testemunhas a de uma mulher americana de uns quarenta anos que fora educada na fé católica. Esta mulher sofrera abuso sexual quando tinha sete anos a mãos do padre da sua paroquia no carro dele. Por aquela mesma época a ela morrera-lhe um amigo e companheiro de escola, que era protestante; a ela lhe fora dito que ele iria ao inferno. De adulta ela conta que o que a ela lhe aconteceu foram duas formas de abuso, um físico e o outro mental, e que o segundo era muito pior...

“Ser tocada polo padre me deixava só uma sensação de asco, de nojo, mentes que a imagem do meu amigo indo ao inferno produzia-me um frio e um medo incomensurável. Eu nunca perdi o sono por lembrar os tocamentos, ora passei noites aterrorizada pensando que gente que eu amava ia para o inferno, deu-me muitos pesadelos.”

A modo de conclusão podemos dizer que, para além de a religião transmitir valores machistas e crenças absurdas, quando estás ideias são impostas a crianças indefensas e portanto mentalmente vulneráveis, isto é constitutivo de abuso. Se o adulto quer abraçar um deus macho de barbas brancas que através de um espirito (fantasma) deixou a uma mulher, que estava casada com um honrado trabalhador, grávida... e que de esse caso nasceu um meninho que era à vez seu filho e ele próprio... que depois esse filho, que era à vez seu próprio pai, fundou uma seita que tem como representante ao papa de Roma, que tem que ser um homem escolhido por homens... bom, enfim se o adulto quer acreditar nisso pois avante, ora os meninhos e meninhas deviam ser respeitados a ter idade para distinguir entre o que é racional e o que é irracional e só depois escolher...

Imaginemos que isso que se faz com as ideologias religiosas se fizesse com as ideologias políticas, e isso que para a democracia as ideologias políticas são imprescindíveis, quanto que as religiosas são desnecessárias e irrelevantes (ou até contrarias ao espírito democrático de igualdade). Imaginemos que as crianças fossem obrigadas a militar num partido político, fossem obrigadas a ir a reuniões e a votar o que escolhessem seus pais e mães; e por se isso não fosse suficiente, imaginem que nas escolas se dessem aulas dessa ideologia... isso teria um nome, não teria?

Pois bom, deixar que se dêem aulas de uma ideologia religiosa que defende a desigualdade entre homens e mulheres e que promove a superioridade do varão sobre a mulher é, para além de imoral, promover o abuso psicológico, e, a meu modo de ver, vai contra a democracia e a constituição. Admitir este tipo de abuso levado a cabo pola Igreja, e facilitado polo Estado, como algo normal e como admitir que uma mulher pode parir e continuar a ser virgem, ou que deus pode ser uno e trino, ou admitir como figura geométrica “o circulo quadrado existente”.

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Comentarios (12)

piorno #1 21/Novembro/2008 piorno
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Magnífico artigo que chama a atençom para factos gravíssimos que ninguém denuncia, o abuso psicológico, mesmo institucionalizado, sobre as crianças. Muitos parabéns à autora.

Lisboeta #2 21/Novembro/2008 Lisboeta
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Parabéns à Autora pelo seu artigo, em que identifica muito bem os aspectos negativos referentes a abusos físicos e psicológicos ligados à transmissão religiosa intergeracional.

Para mim, embora os aspectos ligados ao abuso físico sejam claros quanto à forma como devem ser combatidos – repressão policial, já aquilo que a Autora considera como abusos psicológicos, tenho algumas dúvidas sobre a melhor forma de os combater.

A tradição religiosa, passada intergeracionalmente é desde os primórdios da história utilizada pelas sociedades como veículo transmissor de normalização social e ética que define na ausência de uma forte consciência individual um conjunto de regras (por vezes datadas no tempo, e por isso alteráveis) que permitem ao colectivo ter algum ascendente sobre o individuo. Numas sociedades são as regras da Igreja, noutras as regras do Partido. As histórias por trás de como as Igrejas ou os Partidos ganharam direitos sobre o indívíduo podem ser mais ou menos ridículas, mais ou menos credíveis mas são sempre em todo o caso apenas isso, fábulas convenientes para legitimar o controlo individual. É também o conjunto destas histórias que dá os vários matizes daquilo que é o conjunto da Cultura Humana.

O que pode então uma sociedade que aspira a uma elevação de consciência colectiva fazer para se proteger dos efeitos colaterais psicológicos das várias tradições, sem coartar aquilo que se acredita ser um direito dos pais, educar os filhos na sua própria tradição? Creio que a resposta só pode ser a educação cívica geral e obrigatória para a Liberdade e a Tolerância Religiosa, em que se ajude a criança a colocar em perspectiva a tradição familiar que lhe foi passada e a dar-lhe seguimento (ou não) mas à luz daquilo que será um crescente respeito pelo outro, começando pelos seus próprios filhos, no futuro.

OBSERVADOR #3 22/Novembro/2008 OBSERVADOR
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Então não é um abuso isso de obrigar as crianças a ajoelhar-se, a recitar de cor sem entender, a frequentar lugares solitários em sombras, a confiar as suas intimidades a estranhos... ???

Agora, isso sim, Concha, também o considero abuso dos adultos.

AGIL #4 22/Novembro/2008 AGIL
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Esta Concha toca... não, preme em temas bem complexos e dolorosos... para as "autoridades competentes", que nos dominam. Numa primeira olhada reflexiva observo os seguintes, enunciados ou implícitos:

1.- Era doutrina cristã que até à idade adulta (e não só o 7 anos da "discreção" que dizem) a pessoa não devia ser batizada e apenas depois de duro catecumenato.

2.- Por que, sobretudo, desde a "revolução conservadora" do Constantino (que permaneceu sem batizar, parece, até ao final da vida) a hierarquia cristã mudou a tradição primeira? Acho que pelo simples motivo de o cristianismo ter sido convertido em "religião de estado". Ser cristão valia (e vale) por súbdito do estado; ainda mais, essa condição, de cristão, pode ser reclamada ao súbdito batizado para que se conduza como "bom súbdito".

3.- Esses extremos foram levados ao paroxismo na Europa baixo medieval e moderna (sécs. XIV-XVIII), tanto na banda católica quanto nas protestantes. Contudo, cumpre ter em conta a perseguição das mulheres, alcunhadas de bruxas, justamente em nome da ortodoxia cristã (tanto católica quanto protestantes). Cumpria ter bem dominadas as mulheres enquanto garantidoras da continuidade da ordem estabelecida. De facto, ainda hoje (e por muito tempo) as mulheres, em geral, transmitem "otimamente" a ideologia dominante aos filhos, quer mães, quer avós ou outras. Em grande parte a feminização do corpo docente (no ensino, público e privado) conta com esse facto.

4.- E já que disse "ideologia dominante" (que é a da classe dominante), também as mulheres foram, primeiro, atacadas na sua raiz cultural (transmitida numa determinada língua, cá, a "própria" que lhe dizem à galega ou portuguesa da Galiza), para, a seguir, serem utilizadas como transmissoras (postiças em grande medida) da "cultura oficializada" e da "lengua nacional" (cá, na Galiza, a espaÑola... não precisamente a castelhana...).

5.- Podemos continuar por este caminho: Porque o endoutrinamento das crianças ou meninos ou meninhos, tanto o religioso quanto o patriótico-espaÑol (e não o galego: explico a seguir), constituem um jeito de violação pior do que a violação física. É um jeito de pederastia que marca para toda a vida: Se não se supera, por isso mesmo; mas também se consegue ser superado... A marca "original" continua indelével, como demonstra que a pessoa com relativa frequência tenha de evidenciar(-se) que ultrapassou aquela etapa inicial (e iniciática).

6.- Que dizer do endoutrinamento-violação patriótica-espaÑola? Ofusca qualquer capacidade de racionalizar os "fundamentos" desse "patriotismo" e sobretudo produz indivíduos fanáticos que obviam qualquer consideração com o outro, ao qual tratam sempre não como adversário ou mesmo inimigo, mas como doente, cancro, que deve ser extirpado. Acho que não são precisos exemplos ao caso: Ontem, na guerra civil (1936... até 1975), e hoje...

Xiana #5 23/Novembro/2008 Xiana
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A influencia psicolóxica no outro comeza ben pronto, antes dos 3 anos as persoas estamos permanentemente analizando o noso comportamento dende a óptica social e a partir dese momento a influencia do social nos condiciona a conduta.
Este condicionante pode traer consigo maltrato e pode ser utilizado por algúns para levarnos cara a onde lles interesa, a igrexa usa esta estratexia acotío pero os demais tamén, seguro que se nos paramos a pensar nos daremos conta que o facemos un día si e outro tamén.
A diferencia pode estar no grao de aplicación dese condicionante que pode acabar sendo maltrato, como pasa no caso da igrexa, pero a min o que de verdade me preocupa é que ese maltrato está totalmente instalado na sociedade e podemos ver como nenas e nenos aprenden a maltratar ao outro dende ben pequenos, é o que ven e aprenden.
Parabéns polo artigo.

AGIL #6 23/Novembro/2008 AGIL
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Curiosamente, Concha, coincides com a sentença do juiz de Valhadolid (mina Terra) que proíbe a exposição de símbolos religiosos no colégio (de primária) público em que o Conselho Escolar acordou continuar a expô-los, contra a petição de vários pais.
Eis a notícia narrada "imparcialmente" pelo jornal, agora do grupo Vocento (o de ABC e El Correo Español, entre outros), EL NORTE DE CASTILLA:

VALLADOLID
El juez ordena la retirada de los crucifijos del colegio público Macías Picavea
FIDELA MAÑOSO (VALLADOLID)

[Foto: Colegio Macías Picavea, en la calle Madre de Dios (sic). / EL NORTE]

CRONOLOGÍA

19 de septiembre del 2005: Dos padres de alumnos del Macías Picavea solicitan por escrito a la dirección del colegio la retirada de los crucifijos y símbolos religiosos de las aulas y dependencias comunes.

3 de octubre del 2005: En votación secreta, la mayoría del Consejo Escolar decide dejar los crucifijos

5 de noviembre del 2005: La Asociación Cultural Escuela Laica solicita la retirada al colegio y a la Dirección Provincial de Educación.

20 de enero del 2006: Recurso de alzada ante la Consejería.

5 de mayo del 2006: Agotada la vía administrativa, la asociación inicia la vía judicial.

14 de julio del 2006: Demanda en el juzgado de lo Contencioso Administrativo número 1 de Valladolid.

24 de enero del 2007: Educación delega en los consejos escolares la potestad de los símbolos religiosos y apela al carácter cultural del símbolo para defender su postura.

2 de marzo del 2007: El juzgado deja en manos de la Junta la retirada de crucifijos. La Junta recurre al TSJ la sentencia.

20 de septiembre del 2007: El Tribunal Superior de Justicia de Castilla y León acepta parcialmente la decisión del consejo escolar.

29 de julio del 2008: El juez obliga a la Junta a pronunciarse sobre si deben o no permanecer símbolos religiosos en las aulas.

13 de agosto del 2008: La Junta desestima el recurso que pedía la retirada y se posiciona a favor de mantenerlos.

La sentencia del Juzgado de lo Contencioso número 2, pionera en España, señala que su presencia vulnera los derechos de igualdad y la libertad de conciencia

La Junta asegura que acata la resolución y su portavoz recuerda que es el Consejo Escolar del centro quien debe decidir si quita los símbolos religiosos de las aulas

El Juzgado de lo Contencioso Administrativo número 2 de Valladolid ha dictado una sentencia en la que obliga al colegio público Macías Picavea a retirar los símbolos religiosos de las aulas y espacios comunes, por entender que vulnera los derechos fundamentales reconocidos en los artículos 14 y 16.1 de la Constitución que hacen referencia a la igualdad y la libertad de conciencia, una decisión defendida también por el fiscal. «Se trata de una sentencia importantísima, ya que es la primera vez en España que un juez entra en el fondo del asunto dando la razón a la libertad de conciencia», dijo el portavoz de la Asociación Cultural Escuela Laica, Fernando Pastor, padre de una de las alumnas del centro e impulsor del proceso judicial.

La Asociación Cultural Escuela Laica recurrió al contencioso administrativo contra el acuerdo del Consejo Escolar del centro de no proceder a la retirada de los símbolos religiosos, después de que la Junta de Castilla y León tomara partido y rechazara el recurso presentado por la asociación.

La decisión judicial desmonta ahora, según Pastor, la postura mantenida por la Junta que dispone de un plazo de quince días para recurrir el fallo, «aunque si lo hiciera, sería una indecencia», subraya el portavoz. No obstante, la asociación ha estudiado esa posibilidad con sus abogados y de producirse, se pediría al juzgado «la ejecución cautelar de la sentencia» para que la retirada de crucifijos fuera efectiva hasta el próximo fallo, al tratarse de «vulneración de derechos fundamentales», añade Pastor, que ha calificado de «calvario» llevar a la niña al colegio desde que solicitara la retirada de los crucifijos hace tres años, y para quien la directora del centro no debería seguir en su puesto ni un minuto más, «porque ha tomado el colegio como un cortijo particular».

Por su parte, el presidente de la Asociación Escuela Laica, Carlos Parrado, pidió la dimisión del consejero de Educación, Juan José Mateos, «porque es una persona que nos representa a todos y ha estado vulnerando derechos fundamentales de unos ciudadanos, de unas familias que desde hace años hicieron una petición a la Junta».

El juez subraya que, en el ámbito educativo, el tema de la libertad religiosa es «especialmente sensible», pues al tratarse de la fase de formación de la personalidad de los jóvenes, la enseñanza influye decisivamente en su futuro comportamiento respecto de creencias e inclinaciones».

El consejero de la Presidencia y portavoz de la Junta de Castilla y León, José Antonio de Santiago-Juárez, aseguró ayer por la noche que el Gobierno regional acatará la sentencia y que, en principio, no la recurrirá. De Santiago-Juárez manifestó el «respeto» de la Junta por esta sentencia, al tiempo que recordó que el Gobierno regional ya dijo en su día que la retirada o no de crucifijos era una decisión que tenía que tomar el Consejo Escolar, informa Europa Press. «La Junta pensó en todo momento que la decisión correspondía al Consejo Escolar del centro y obró en consecuencia», resaltó.

La Consejería de Educación, por su parte, anunció que estudiará mañana el fallo judicial y tomará una decisión al respecto.

La Federación Castellano y Leonesa de Lesbianas Gays Transexuales y Bisexuales considera que el auto conocido ayer constituye «un paso valiente en la clara separación entre Iglesia y el Estado».
Con esta sentencia, prosiguen, «los espacios públicos, los colegios públicos y la educación pública se establecen como el lugar común de todos los españoles, donde no caben, donde no deben caber, simbologías de ninguna religión», aseguraron.

ulham-novo #7 24/Novembro/2008 ulham-novo
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meu deus que artigo tam bom creo que cada vez está mais perto o banimento da religion de nos

Concha-Rousia #8 24/Novembro/2008 Concha-Rousia
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Obrigada polos vossos generosos comentários, que ampliam, e complementam muito bem, o meu artigo.

Interessante isso que comentas, AGIL; são curiosas essas coincidências com a sentencia do juiz de Valhadolid, é bom saber que há cousas movimentando-se neste terreno.

Um abraço, e de novo obrigada

LANS #9 24/Novembro/2008 LANS
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Estão na Cope a dar uma nova que diz que a deputación da Corunha vai fazer um acto no afirmando que o uso do espanhol é uma outra maneira de violência machista.
Eu apontaria, também de violência fascista espanholeira.
Ainda lembro como me contava a minha mãe que ela, sendo filha de garda civil, com sete anos teve que aprender castelhano, e como o meu pai me contava que estava muito mal visto que as mulheres falassem em galego (Claro, a língua das paletinhas e não finas).
Pois é bem certo que é outra maneira de violência machista, e ademais de uma boa maneira de impor uma língua sobre a outra sabendo que a língua de comunicação das crianças será a língua materna.

jeanettewinterson #10 24/Novembro/2008 jeanettewinterson
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Mais eu son muller, de esquerdas e creo nun Deus, que non sei se é home, muller, un ou trino, pero quero crer que hai algo logo da morte, algo distinto do que predican os curas, pero algo, non sei que, e non me arrepinto de crer. E ben sei que a relixión católica é machista, cousa que non comparto, mais ás veces...entro nunha igrexa e poño unha candea, ou persínome coa agua bendita da pila, ás veces rezo ó deitarme, porque se non pensaría coma Sartre, que dicía "Só sei que estamos eiquí e que imos morrer algún día. E non teño nin idea de pra que estamos", e ese pensar desespérame.
Unha muller feble.

suso #11 25/Novembro/2008 suso
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Cara Jeanette:
Crer num Deus, numa Harmonia do Universo, numa Disharmonia do Universo...tudo isso é perfeitamente respeitável. O que não é respeitável, porque vivemos no século XXI, é crer que Deus teve um filho, ou que comer carne de porco é pecaminoso, ou que masturbar-se pode ter como consequência um castigo eterno, ou que se um vai a Fátima em peregrinação uma doença do fígado pode curar. Porque então também seria respeitável crer que Deus (Zeus) tem várias amantes, ou que o Sol é arrastado por uns cavalos cada dia, ou que podemos levar á outra vida o telemóvel se nolo deixam no caixão...
E por conseguinte, meter essas parvoices nas mentes infantís é completamente inaceitável.

Concha-Rousia #12 26/Novembro/2008 Concha-Rousia
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Jeanette, eu não critico, nem criticarei nunca atitudes como a tua, ou mesmo diferentes... Eu não sei, como tu, o que me espera, ou não me espera, logo da morte... e aceito qualquer solução individual que cada um se busque; é de agradecer a tua sinceridade à hora de falar de algo que, quando o aplicamos a nossa própria pessoa não é tão fácil de qualificar. Mas o colectivo, e sobretudo as crianças necessitam a nossa protecção fronte a nós mesmos, os adultos cheios de razão.

Obrigada por ofereceres o teu comentário.

E obrigada também a Suso, e a todos e todas que lestes este meu trabalho.

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Concha Rousia

Concha Rousia

Concha Rousia nasceu em 1962 em Covas, uma pequena aldeia no sul da Galiza. É psicoterapeuta na comarca de Compostela. No 2004 ganhou o Prémio de Narrativa do Concelho de Marim. Tem publicado poemas e relatos em diversas revistas galegas como Agália ou A Folha da Fouce. Fez parte da equipa fundadora da revista cultural "A Regueifa". Colabora em diversos jornais galegos. O seu primeiro romance As sete fontes, foi publicado em formato e-book pola editora digital portuguesa ArcosOnline. Recentemente, em 2006, ganhou o Certame Literário Feminista do Condado.



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